Brasília - O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Edson Vidigal concedeu ontem uma liminar suspendendo as prévias do PMDB, marcadas para amanhã. O mandado de segurança, com pedido de liminar, foi ajuizado pelo deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE).
Em seu pedido para suspender as prévias, ele alega que a maioria dos diretórios regionais vai estar fechado no domingo, o que invalida a consulta. Gomes diz ainda que as prévias não poderiam ter sido convocadas porque a última convenção do PMDB foi contestada na Justiça.
Segundo o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), os advogados do partido já estão tentando cassar a liminar concedida pelo STJ. A maior preocupação da presidência peemedebista, no entanto, foi a última manobra feita pelos governistas. O deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) enviou da decisão do STJ para todos os diretórios regionais do PMDB avisando que as prévias foram canceladas.
Além de tentar cassar a liminar, os oposicionistas correm agora para impedir que os diretórios cancelem as prévias. Além da liminar, os governistas conseguiram, segundo o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), que 12 dos 27 diretórios regionais não aderissem às prévias.
Entre os diretórios que não vão realizar as prévias, independentemente da concessão da liminar, estão os do Pará, Maranhão e Alagoas. Todos são chefiados pelos principais caciques da ala governista: os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), além do deputado Jader Barbalho (PA).
Candidato
O senador do PMDB, Pedro Simon (RS), afirmou que o ministro do STJ, Edson Vidigal, de agir como candidato por ter suspendido as prévias do PMDB marcadas para serem realizadas amanhã.
O pré-candidato Anthony Garotinho e o presidente nacional da legenda, o deputado federal Michel Temer, estavam ontem em Brasília quando souberam da decisão. O outro pré-candidato do partido, o governador Germano Rigotto, foi para a Capital após saber da medida de Vidigal.
“O ministro age mais como um candidato em campanha ao governo do Maranhão do que como integrante do Judiciário”, disse o senador Simon. Ele lembrou que Vidigal foi indicado ministro pelo então presidente da República José Sarney, hoje senador pelo PMDB do Amapá e um dos principais defensores dentro do partido da aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro.
Simon garantiu que, com liminar ou não, haverá eleições prévias no Rio Grande do Sul amanhã para escolher o candidato da legenda à presidência da República. As prévias se tornaram um cavalo de batalha entre os dois grupos do PMDB, dividido entre lançar ou não candidatura própria à presidência, uma situação complicada ainda mais pelas dúvidas sobre a manutenção da regra da verticalização.
Os defensores da candidatura própria se mostravam confiantes de que as prévias seriam mantidas. “O PMDB deve se manter tranqüilo. Essa é apenas uma decisão liminar e as prévias estarão mantidas”, disse anteriormente Rigotto.