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O preocupante declínio dos craques


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O Carnaval passou, estamos na Quaresma e daqui a pouco - menos de três meses - começará a Copa do Mundo. A população até esquece que em seguida teremos eleições para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. As emoções ficam reservadas para a batalha da Alemanha e quase dez entre dez brasileiros acreditam piamente na conquista do hexa. É claro que o Brasil, graças às últimas atuações dos comandados de Parreira, faz por merecer as previsões de novos shows de bola em gramados alemães. Mas há um fato novo no cenário futebolístico, capaz de transformar em decepção a sonhada “festa do hexa”.Refiro-me ao aparente envelhecimento do plantel que Parreira teima em tornar imexível, mesmo diante da decadência física e técnica de alguns dos nossos “galácticos”. Parece que esses craques se tornaram de repente muito frágeis e passam a freqüentar os estaleiros da Seleção. Aqui, alguns exemplos:

Cafu, recém-operado; Ronaldo - quem te viu e quem te vê -, a ponto de dar pena de vê-lo atabalhoado, incapaz de aplicar os dribles e arrancadas fulminantes que outrora executava com imensa facilidade; Adriano, há mais de dois meses sem fazer gols em seu clube, agora facilmente desarmado pelos zagueiros; os goleiros Marcos e Dida: o primeiro fica mais tempo no estaleiro e o segundo cuja segurança no gol cedeu lugar a uma série de comprometedoras rebatidas para dentro da área; Roberto Carlos, sem o impulso e os canhotaços do passado.O que será do nosso timaço, se esses supercraques mantiverem nos próximos dois meses as deficiências físicas e técnicas que temos visto em suas exibições, principalmente no campeonato espanhol? Terá Parreira substitutos à altura no rol de suas convocações?

Ronaldinho Gaúcho, com sua raça e talento, bastará para suprir o aparente esgotamento técnico e físico dos jogadores aqui citados? Será que o técnico-herói do penta admite a hipótese de chegar a junho com metade do plantel “bichado” - como agora se observa - e nesse caso terá já em mente jovens revelações capazes de manter o prestígio de nosso futebol? A propósito do desagradável estágio físico e técnico de “galácticos” patrícios, louve-se a preocupação do presidente Lula com a performance de Ronaldo, que o veterano francês Platini chamou de “velho e gordo”. Talvez venha a hora de vingar, contra os franceses, aquele vexame que sofremos diante deles na Copa de 1998.

Quanto a Lula e Ronaldo, aliás, parece-me que há um exagero na louvação do ex-marido de Daniela Cicarelli. Para quem fatura R$1,3 milhão por mês no Real Madrid, além da fortuna auferida em contratos de publicidade, é obrigação jogar bem, com ou sem o incentivo das autoridades. Se sobra tempo para o supercraque freqüentar ambientes luxuosos e trocar de parceiras belas e famosas a cada seis meses, convenhamos: por que não se poupar um pouco mais? Aguardemos as providências do técnico Parreira e rezemos para que Deus demonstre seu brasileirismo na próxima Copa.

Os leitores sabem que os esportistas, no mundo todo, costumam dar-se as mãos antes das pelejas, pedindo o respaldo divino. Deve ser tarefa complicada para Deus, ao decidir qual equipe merecerá o empurrãozinho divino. Que tal, então, pedirmos ao Senhor que, desde já, proteja os tornozelos, as canelas e os joelhos de nossos supercraques, a fim de facilitar o trabalho de Parreira? Se assim não for, a briga pelo hexa talvez seja adiada para 2010. Infelizmente.

O autor, Nilson Costa, é jornalista e ex-prefeito de Bauru

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