Cultura

O Urbanejo de Fabrício & Fabian

Por Adriana Fricelli | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A cidade do Rio de Janeiro, mãe da bossa-nova, do samba e do funk, também foi generosa com o sertanejo. Romântica, pop e urbanizada a música abandonou um pouco suas raízes, extrapolou os territórios interioranos e conquistou os irmãos cariocas Fabrício & Fabian, que acabam de lançar o CD “Felicidade”, o segundo de suas carreiras.

A faixa-título do disco, uma regravação do sucesso na voz de Fábio Jr., resume a atual fase da dupla. “Nós estamos muito felizes com o reconhecimento do nosso trabalho. O primeiro CD foi lançado de forma independente e vendeu 20 mil cópias! Não existe nada melhor para um artista do que ver seu trabalho fluindo”, diz Fabian em entrevista por telefone ao JC Cultura.

A consagração da dupla veio no ano passado durante a tradicional Festa de Rodeio de Barretos, no Interior de São Paulo. Na ocasião, a música de trabalho, “A Dança do Cowboy”, foi a segunda mais executada nas rádios da cidade, o que lhes rendeu o prêmio de “Dupla Revelação” na Qualidade Brasil 2005 e um convite para uma turnê de seis shows nos Estados Unidos.

“Com o sucesso em Barretos, ganhamos repercussão internacional. Participamos de um rodeio em Boston e rodamos também pela Flórida, Nova York e outras cidades americanas. A experiência foi tão boa que no segundo semestre deste ano seguimos para a Europa”, empolga-se Fabian.

Músicas

O repertório para o segundo CD foi escolhido com muita cautela, sem perder de vista o perfil descontraído e romântico dos irmãos. “São 14 músicas, sendo que quatro são nossas. Fazemos um sertanejo pop, dançante, mas sem deixar de lado o nosso romantismo”, define.

No CD, também estão os clássicos “Chuá Chuá”, toada de 1925 de autoria dos gaúchos Pedro de Sá Pereira e Ary Pavão, e “Noite Cheia de Estrelas”, tango-canção que estourou com o cantor Vicente Celestino na década de 30. Lançado pela gravadora Simbrasil e distribuído pela Ouver Records, “Felicidade” tem direção artística do maestro Roger Henri e arranjos de Paulo Henrique Castanheira, ambos produtores musicais do programa “Fama”, da Rede Globo.

Para acompanhar a dupla, o maestro convidou a banda do programa, formada por Sérgio Melo (bateria), João Carlos Coutinho (acordeon), Jakaré (percussão), Juliano Cortuah (violão e guitarra), Ricardo Marins (guitarra), Allyrio Mello (violino), Rodrigo Eberienos (gaita), Paulo Trompete (trompete e trombone), Sueli Faria (sax), Dirceu Leite (flauta) e PH Castanheira ( baixo e teclado). Nos backing vocais estão Paulo Soledad, Nina Panceyski, Luciane Duque e Paulo Muniz.

Sertanejo do Rio

Eles já foram chamados de Jeca no início da carreira e encontraram dificuldades para escutar música sertaneja nas rádios da cidade, quanto mais tocar em algum estabelecimento do Rio, mas a persistência e o talento dos irmãos acabaram seduzindo a capital do samba. “Nós já tivemos que pagar para tocar e, mesmo assim, as pessoas riam de nós. Agora é diferente, hoje temos respeito”, orgulha-se Fabian.

Tanto é que a dupla foi citada nos Estados Unidos, entre nomes como Daniel e Zezé Di Camargo & Luciano, como uma das que mais se projetaram naquele país. “Para nós é um orgulho muito grande levar o nosso som e o nome do Brasil para o Exterior”, diz o músico.

Nascidos no Rio, os irmãos cresceram ao som de “Menino da Porteira” e “Moreninha linda”. “Meus pais são nordestinos e moraram em cidades do Interior até vir para o Rio. Em casa, eles sempre contavam sobre esses lugares e cantarolavam músicas sertanejas”, explica Fabian, que pediu ao pai para conhecer Goiás, onde havia trabalhado por um tempo. De volta dessa viagem, em 1990, os dois já estavam dedilhando modas sertanejas e nunca mais pararam.

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