Há 95 anos, os lampiões a querosene existentes nas esquinas das poucas ruas da cidade de Bauru só eram acesos em noite sem luar, até que, em 16 de março de 1911, as primeiras doze lâmpadas elétricas foram festivamente acionadas, na Praça Municipal, hoje Rui Barbosa. Ao lado do toque alegre e romântico do logradouro público iluminado era apavorante para os 10 mil moradores da cidade conviver com fios elétricos suspensos sobre suas cabeças, nos 18 km que separavam a Usina de Guaianás da Praça. Foi nesse clima polêmico que em 1909 a Câmara Municipal havia outorgado a concessão, por vinte anos, aos engenheiros Antônio Cintra e Joaquim Gomes (bisavô do ex-secretário municipal Raul Gomes Duarte Neto).
À época, o temor de ser eletrocutado por um fio rompido ou ser atingido por um raio não era só dos moradores de Bauru. “Só a presença de policiais garantiram que os postes fossem fincados nas cidades de nossa região”, relatou-me Francisco Simões, ex-prefeito de Herculândia: Foi neste cenário de conflito que em 1934 foi concebido o Código de Águas. As concessionárias de energia passaram a ter o direito de ocupar o solo público com linhas elétricas, sem ônus (é a vontade da União, expressa na Constituição Federal). A história mostra-nos que toda novidade gera polêmica: locomotivas a vapor eram apedrejadas; boicotes marcaram as obras do gás encanado; Rui Barbosa insurgiu-se com a vacinação obrigatória. Nossos descendentes vão ironizar as polêmicas sobre: torre e aparelho celular; microondas; células-tronco; transgênicos; energia nuclear. Já gerou polêmica e teve seus dias de vilã a hoje aclamada lâmpada a vapor de sódio. A população rejeitava a luz amarelada, por dar sensação de neblina e de alterar a cor dos alimentos. A recente polêmica sobre a “última grande ampliação na iluminação das ruas Bauru” pode ser esclarecida pelas matérias do JC e DB, de 25/08/1990. Foram instaladas 3.400 luminárias com lâmpadas a vapor de sódio (14% das 23.900 existentes); 1.900 substituições, sem desembolso da Prefeitura (amortizado em 36 meses com os valores das reduções das faturas) e 1.500 implantações, para cobrir 100% da cidade.
Gera polêmica também os tipos de lâmpadas das ruas, pelos aspectos segurança e qualidade de vida da população. Foi com essas premissas e levando em conta os preceitos técnicos do Reluz - Programa Nacional de Iluminação Eficiente - que, em 2000, coordenamos na Prefeitura o “Planejamento de eficientização da IP”, com a participação efetiva da Polícia Militar, Emdurb, CPFL e Associações Moradores (o JC de 20/10 registrou uma das reuniões no Conseg). Era Plano Diretor para Iluminação Pública. Os argumentos do representante do Conselho das Associações, Aparecido Vasconcelos, foi decisivo para excluirmos do projeto as lâmpadas a vapor de Sódio de 70 Watts, existentes no bairro Bauru 22: “Andar lá a noite é como estar num túnel”. Como será que se sentem os envolvidos nesse trabalho participativo ao vê-lo descartado? Eis outra polêmica. Mas a polêmica sobre o assunto é ampla, inclusive quanto ao criador da lâmpada, como já realçou nesta coluna o articulista maior, Zarcillo Barbosa: “Thomas Edison ou Joseph Swan, como acreditam os ingleses?".
O autor, Braz Melero, foi diretor regional da CPFL