Muito bem colocada a reportagem na página 8 deste informativo em 17/3/2006, feita pela jornalista Thatiza Curuci, quando ela mostra a imagem de uma paciente sentada em uma cadeira comum, destas de atendimento, pernoitando no corredor para poder ser atendida.
Cadê a promessa de transformar os prontos-socorros em unidades básicas de saúde, ampliar a rede existente, melhorar o atendimento com mais médicos, auxiliares de enfermagem, enfermagem, rapidez no atendimento?
Aliás, deveria ser abolida aquela placa infeliz afixada na entrada dos prontos-socorros municipais com os dizeres: “vagas do dia”.
Por que colocar na entrada dos postos de atendimento a placa “vagas do dia”? É uma pouca vergonha esse pagamento de vossa excelência com a população que lhe deu a oportunidade de depois de muitos anos retornar à prefeitura. Perdoe-me, mas isso é traição da grossa.
As pessoas, por livre e espontânea pressão da necessidade primordial de preservar a sua saúde e de seus filhos e familiares, passam a noite em filas para poderem ter acesso a um direito que lhes assiste, mas que, devido à falta de vontade política de vossa excelência e de toda a patota, digo, equipe que o cerca, não podem se dar ao luxo de passar uma noite de sono tranqüila em suas casas por causa do descaso que vossa ilustre pessoa que ora responde pelo município insiste em manter.
Nenhum cidadão tem obrigação de se sacrificar física e financeiramente para poder ter um atendimento digno, pois nem todos têm condições de pagar os planos de saúde, que são muitos, mas que, seguindo a lógica, ou se sustenta a família ou se paga o plano.
Bem, isso não vem ao caso.
Na matéria, a prefeitura coloca que se encontram abertas vagas para clínico geral oferecendo uma carga horária de 20 horas semanais e um salário de R$ 941,00.
Como é que pode uma pessoa estudar em média 10 anos dentro de uma universidade para cuidar do bem maior que temos, que é a vida, e ser oferecida uma “merreca” dessas, ainda mais para trabalhar em locais onde a estrutura de trabalho para ser ruim precisa melhorar muito, pois a mesma, pelo que se tem acompanhado pela imprensa escrita e televisiva, é péssima.
Ilustre senhor professor José Gualberto Martins Angerami, ou simplesmente Tuga: pare de pensar em terceirizar as suas responsabilidades para outras pessoas, porque o voto não pode ser terceirizado, e o respeito com os eleitores também não.
Urge ter-se mais ética nas coisas que vossa excelência e vossos subordinados pensam para o bem de todos, ainda mais se esse bem envolve um direito inalienável, o direito à vida, regido pelo artigo 5.º da Constituição.
Faltam um ano e nove meses para o término de vosso mandato, então, pare de embromação e comece a trabalhar para o bem da população. Desculpe o desabafo e muito obrigado pela atenção.
Rodrigo Cabello da Silva - técnico de segurança do trabalho - SP/011701.3