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De grade à calçada, viadutos agonizam

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

Quem passa pelo viaduto da avenida Duque de Caxias sobre a avenida Nações Unidas observa um remendo feito com madeira em trecho da grade de uma das laterais da estrutura. O “conserto” improvisado foi feito após o acidente de anteontem, quando um carro quase caiu do viaduto na Nações, o que abriu um rombo na proteção de ferro. Mas a situação não é exclusiva. O JC passou pelos principais viadutos de Bauru e constatou que a maioria está “remendada” e mal cuidada.

Além dos remendos, as grades de proteção instaladas nas laterais das passarelas têm entre 86 e 92 centímetros de altura, o que pode facilitar eventuais quedas de pedestres. Em alguns casos, por conta de acidentes ou até da ação do tempo, parte delas está danificada.

As calçadas dos viadutos, por onde os pedestres passam, estão cheias de buracos. Em algumas, a fiação interna do viaduto e os ferros dos blocos de concreto estão expostos. A iluminação dos elevados também é deficiente. Os postes de luz estão com as lâmpadas quebradas ou sem os seus suportes.

“Essas grades poderiam ser mais altas, sem falar que deveriam arrumar a calçada porque tem muitos degraus. Às vezes, quando preciso passar com a minha mãe, preciso apoiá-la para ela não tropeçar. Os vãos das emendas do viaduto são muito grandes também”, reclamava o eletricista Alex Mansueto, 27 anos, a respeito do viaduto João Simonetti sobre o rio Bauru, na rua 13 de Maio, quando o atravessava ontem à tarde.

No elevado Juscelino Kubitschek, na rua Azarias Leite, também sobre o rio Bauru, a situação é parecida. As grades de proteção têm menos de um metro de altura e a calçada, além de esburacada, é estreita. Sua largura é de um metro e 40 centímetros, o que pode comprometer o trânsito de cadeirantes e a passagem de um fluxo grande de pessoas.

“A proteção é muito baixa e os buracos obrigam a gente a andar devagar para não cair. Alguém tem que tomar alguma providência antes que uma pessoa se acidente”, comenta a dona de casa Ana Alice Ortiz, 44 anos, que passava pelo viaduto no início da tarde de ontem.

Na avenida Duque de Caxias, o viaduto 23 de Maio, sobre a Nações, também precisa de reparos. A grade metálica da estrutura, atingida na última segunda-feira por um veículo Caravan, ficou danificada. Do outro lado do elevado, a proteção, que também foi amassada por conta de um acidente de carro no mês de janeiro, ainda está sem manutenção.

O viaduto Antônio Eufrásio de Toledo, no final da rua José Aiello, o principal problema é a falta de iluminação. Na noite de ontem, apenas três postes lâmpadas estavam acesas. A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) informou por telefone que, embora desconhecesse a deficiência no local, resolveria o problema em até 48h.

O secretário de Obras da Prefeitura de Bauru, Leandro Joaquim, explica que os problemas são estruturais e que as recuperações mais necessárias serão feitas. Segundo ele, a prioridade no momento é o conserto da grade de proteção do viaduto 23 de Maio, já que a fissura causada pelo acidente ocorreu entre o vão da estrutura. Os demais reparos, garante Dias, serão procedidos posteriormente.

O secretário de Obras também explicou que a altura das grades acopladas às passarelas é padrão no município, porém não soube dizer se é suficientemente segura.

“Quando os projetos dos viadutos foram concedidos, provavelmente a altura média do brasileiro era de 1m60. Hoje é de 1m70. Essa média foi aumentando e a altura da grade deveria ter acompanhado. Em nenhum momento fomos informados sobre essa necessidade. Nunca recebemos reclamação sobre a altura baixa da grade ou até mesmo da fragilidade dos viadutos”, diz o secretário de Obras.

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Substituição

As grades de proteção dos viadutos Consuelo Ruiz Nogueira, na avenida Nações Unidas sobre a rodovia Marechal Rondon, e da avenida Rodrigues Alves também sobre a Rondon, estão sendo substituídas. Estruturas metálicas com 1m35 de altura estão ocupando o espaço das antigas, que são de concreto e têm menos de um metro de altura.

A manutenção dos elevados é de responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que pretende finalizar as obras até o mês que vem.

O diretor regional do DER em Bauru, Dênis Paulo Nogueira Lima, explica que as alterações estão ocorrendo por conta da ação de vândalos e também da necessidade de oferecer mais segurança aos pedestres.

“Resolvemos trocar as grades de concreto pelas de ferro porque as primeiras foram depredadas por vândalos e porque eram muito baixas, o que comprometia a segurança de quem precisa atravessar esses viadutos”, completa.

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