Lençóis Paulista – A Polícia Técnica e Científica (PTC) de Bauru e a Polícia Civil de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), coordenadas pelo delegado-adjunto Marcos Jefferson da Silva, realizaram ontem a reconstituição do crime de duplo homicídio ocorrido no mês passado na cidade.
José Aparecido Queiroz, 20 anos, conhecido como Zezinho, e um menor de idade confessaram em seus depoimentos à polícia terem participado do crime. Na ocasião, duas pessoas foram mortas.
Segundo os depoimentos que os acusados deram à polícia, os crimes foram cometidos por causa do dinheiro que uma das vítimas tinha guardado no banco. A intenção era roubar o cartão e a senha da conta que o auxiliar de escritório Paulo Luiz Lima Casado, 26 anos, guardava com ele.
O lavrador Alexandre dos Santos, 21 anos, foi quem supostamente planejou a morte do auxiliar de escritório. A idéia, segundo Queiroz, era matar Casado e repartir o dinheiro. Além de Santos e Queiroz, também fazia parte do grupo um menor de idade.
A reconstituição do crime foi próximo à linha férrea que passa pelo bairro Júlio Ferrari, local onde ocorreram as mortes. Queiroz foi levado em uma viatura da polícia ao local, mas se recusou a participar da reconstituição. Segundo a mãe do rapaz, que compareceu ao local, ele se negou a participar por ter sido orientado por seu advogado, que ela diz desconhecer.
Queiroz, supostamente, teria sido orientado por um advogado a falar apenas em juízo. O advogado do rapaz, no entanto, não estava presente ao local. “A gente queria que ele participasse da reconstituição, mas ele não quer. Desde que ele foi para lá (cadeia de Avaí), eu não o vi mais. Do dia em que ele foi para lá, hoje é que eu estou vendo ele, não sei se ele tem um advogado lá. Eu não pude arrumar um advogado aqui”, contou a mãe do rapaz.
A Polícia Técnica realizou a reconstituição do crime com a participação apenas do menor, que estava acompanhado dos pais. Policiais e um voluntário, morador do local simularam, acompanhados pelo menor, o papel dos envolvidos para que o crime fosse reconstituído. Para o perito Fábio Tavares, da Polícia Científica de Bauru, o resultado da reconstituição, no geral, bateu com os depoimentos prestados à polícia pelos envolvidos.
Tavares ressaltou, no entanto, que foi citado no depoimento o uso de um pedaço de pau para agredir uma das vítimas. Mas durante a reconstituição o menor não confirmou o uso do objeto, somente o uso da faca.
Ainda de acordo com a reconstituição, Alexandre teria colocado sua meia dentro da boca de Casado e utilizado o cadarço de seu tênis para enforcá-lo.
Enquanto rendia a vítima, que estava deitada no chão, Queiroz teria pedido a faca que estava com ele. Com a faca na mão, Queiroz teria então atacado Santos com a arma na região do pescoço. Mesmo ferido, Alexandre teria corrido em direção à linha do trem seguido de Queiroz.
Em seguida, os dois iniciaram uma briga e Santos, ao cair no chão, acabou, possivelmente, sendo enforcado por Queiroz. Segundo a polícia, a causa da morte de Santos não pode ser determinada com precisão devido a fase de putrefação em que foi encontrado o corpo.
Como Queiroz se recusou a participar da reconstituição, a polícia vai trabalhar com a versão contada pelo menor. “O objetivo (da reconstituição) é verificar se tem alguma divergência entre as versões deles. No caso específico, um alega que teve faca envolvida no evento e outro alega que não teve. Através da reconstituição vamos ter parâmetros para a gente poder tirar algumas dúvidas com relação a isso”, disse o perito Tavares.