Buenos Aires - Entre o material que fazia parte do esquema ilegal montado por oficiais da Marinha argentina para espionar membros do governo estavam gravações em vídeo e, de acordo com reportagem de um jornal de Buenos Aires, até uma pasta com informações sobre o presidente Néstor Kirchner.
A Justiça da Província de Chubut (Sul do país), onde se localiza a base da Marinha em que se compilava o resultado das atividades de espionagem, informou, sem indicar uma quantidade específica, que existem no conjunto apreendido fitas cassetes com gravações em vídeo que ainda serão examinadas.
O escândalo estourou poucos dias antes do 30.º aniversário do golpe de Estado que instaurou a ditadura argentina, após a denúncia de uma ONG, que afirma ter se baseado no depoimento de um militar.
A ministra da Defesa, a civil Nilda Garré, militantes dos direitos humanos e jornalistas eram os principais alvos do esquema de espionagem montado pelos militares. A Marinha determinou o fechamento de todas as centrais de inteligência e instaurou uma sindicância para apurar o caso.
Dentro do país, as Forças Armadas argentinas são proibidas de realizar atividade de inteligência desde a década passada. O diário “Página 12” informou em sua edição de ontem que o material incluía uma pasta com dados relacionados ao presidente Néstor Kirchner. O jornal não especificava se eram detalhes sigilosos ou uma compilação de informações já conhecidas e públicas sobre o líder argentino. O restante das investigações ilegais realizadas pela Marinha continha fotos, descrições de conversas mantidas durante congressos universitários e até dados sobre a orientação sexual de jornalistas e políticos que eram espionados.
Com a descoberta do esquema em Chubut, a discussão sobre a existência de arquivos de espionagem, que podem levar a dados sobre alguns dos cerca de 30 mil desaparecidos durante a ditadura argentina, foi retomada.