La Paz - Poderosas explosões atingiram dois hotéis em La Paz entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem, matando duas pessoas (veja quadro). Uma uruguaia e um norte-americano supostamente com problemas mentais foram presos acusados de envolvimento no atentado. A participação de um cidadão dos EUA levou o presidente boliviano, Evo Morales, a insinuar o envolvimento de Washington no episódio.
A primeira explosão ocorreu por volta das 21h50 locais, e a outra, quatro horas depois. Ambas provocaram sérios danos aos prédios atingidos. “Há a luta contra o terrorismo, e o governo dos Estados Unidos manda norte-americanos fazer terrorismo na Bolívia”, disse Morales, durante um ato público em Santa Cruz. “Um norte-americano metendo bombas nos hotéis. O governo dos Estados Unidos luta contra o terrorismo, não é possível que gente dos Estados Unidos venha colocar bombas nos hotéis. O que está acontecendo?”. “Por trás desses dois atentados estão interesses de alguns grupos oligárquicos na Bolívia, usando agentes externos para amedrontar, para criar inquietude, para dizer que o governo não sabe controlar a Bolívia”, disse o presidente socialista.
A Embaixada dos EUA em La Paz confirmou que se trata de um cidadão americano, mas não comentou o caso nem as declarações de Morales. O vice-presidente boliviano, Alvaro García Linera, classificou o ataque como “preocupante, mas isolado, que não afeta a estabilidade do país nem do governo”.
A primeira detonação, no centro turístico de La Paz, provocou dois mortos e sete feridos, além de danificar ao menos dez prédios vizinhos. O hotel, de acomodações simples, era usado para pernoite e por mochileiros. A segunda explosão ocorreu numa zona residencial do centro de La Paz, a menos de dez quadras do Palácio Quemado (sede do governo). Um telefonema anônimo avisou a polícia, que conseguiu esvaziar o local a tempo.
A perícia policial concluiu que as explosões foram provocadas por cargas de dinamite de pavio lento, material de fácil acesso na Bolívia pelo uso na mineração. Os detidos foram identificados como a uruguaia Alba Riveiros, 40 anos, e o americano Claudio Lestad D’Orleans, 27 anos. O comandante policial, general Isaac Pimentel, disse que o ataque pode ter “motivos religiosos” e disse que Lestad se apresentava como um “celebrante de rituais pagãos”.
De acordo com Pimentel, o casal planejava também plantar uma bomba no consulado chileno em La Paz. Santiago não mantém uma embaixada na Bolívia - os dois países romperam relações diplomáticas no final dos anos 1970 por causa de uma disputa territorial.
Os dois foram presos num pequeno hotel da empobrecida cidade de El Alto, na região metropolitana de La Paz. Ao ser levada a uma delegacia policial, a uruguaia gritava: “Meu marido é um maldito, é preciso matá-lo. É uma indignação o que fez o meu marido.” Lestad, radicado há alguns meses na cidade mineira de Potosí (sul) se dedicava à venda de explosivos, fogos de artifício e bebidas alcóolicas. Admirador declarado do terrorista Ossama Bin Laden, segundo a polícia, Lestad se registrou num dos hotéis explodidos como “cidadão da Arábia Saudita”. Já a uruguaia chegou a distribuir um calendário promocional a comerciantes de La Paz com uma foto dela mesma nua com uma caixa de explosivos - um propaganda da loja de Lestad. Segundo meios de comunicação locais, os dois têm antecedentes criminais na Argentina por roubar um caixa automático com uso de explosivos.