Thrillers honestos têm quase sempre um homem disposto a tudo para proteger sua família. “Firewall - Segurança em Risco” é um thriller honesto, por isso ninguém se espantará do que Harrison Ford terá de fazer. Mas há uma razão além das familiares para Ford se mover. Na pele de Jack Stanfield, vice-presidente de segurança de um banco, ter sua conta bancária, vida e casa invadidas por bandidos é algo que atinge, também, o orgulho profissional.
O essencial, porém, na primeira parte, é a invasão da casa, que nos remete a “Horas de Desespero”, de William Wyler, em que bandidos invadem a casa de um homem. As ameaças e agressões são regra no gênero e não faltam aqui. O vilão é astuto e cruel. Seu objetivo é fazer com que Stanfield, sob pressão, transfira uma enorme soma em dinheiro de correntistas do banco para sua conta num paraíso fiscal. Os vilões também sabem ser irônicos. Assim é Bill Cox (Paul Bettany).
A operação que cabe a Stanfield realizar para ter sua família de volta a gente nunca entenderá direito, nem há necessidade: o herói e o vilão sabem qual é. Nós sabemos que, na melhor das hipóteses, mancha o honesto nome do vice-presidente e introduz um outro elemento: ele terá de lutar para provar que é inocente e desfazer o mal que teve de fazer.
O filme ganha então uma faceta Hitchcock. Por onde quer que observemos “Firewall”, ele lembra outro filme, preenche uma fórmula. O que não significa que seu roteiro se entregue a facilidades. Se o comparamos a “Breakdown”, de Jonathan Mostow, falta-lhe a originalidade da proposta e o mistério da condução. “Firewall” cerca-se de todos os tipos de pressão que podem existir: Stanfield é ameaçado em seu lar e no trabalho, em sua integridade física e moral. A perversidade do vilão faz lembrar um velho filme, em que o bem e o mal andavam separados. Isto é, antes de 1940, mais ou menos.
“Firewall” parece preocupar-se em não fracassar, em cercar sua ação de todas as proteções possíveis para que o espectador tenha duas horas de entretenimento. Mas tanta segurança termina por eliminar a chance de desenvolver algumas idéias. Com isso, o diretor Richard Loncraine oferece um filme cuja honestidade tem algo de insípido, com um Ford tão coberto de boas intenções que mais parece Kevin Costner.
“Firewall” é um thriller bastante conservador. Sua celebração da família não foge à regra contemporânea: lembra mais ou menos aquilo que D.W. Griffith fazia em 1910. O mundo deu muitas voltas de lá para cá, mas parece que chegou ao mesmo lugar.