Bagdá - A Rússia forneceu ao regime de Saddam Hussein informações sobre a movimentação das tropas norte-americanas nos primeiros dias da invasão do Iraque liderada pelos EUA em 2003. A revelação consta de um relatório divulgado ontem pelo Pentágono, que não indica como os dados transmitidos por Moscou influenciaram no desfecho da ofensiva.
De acordo com o relatório, o governo russo tinha fontes “dentro do Comando Central Americano” durante o planejamento e a execução da invasão. As informações obtidas, afirma o documento, eram transmitidas a Saddam Hussein pelo embaixador russo em Bagdá. Não se sabe se propositadamente ou por acaso, alguns dos dados da inteligência russa acabaram ajudando a despistar sobre as reais intenções dos EUA.
Ao dizerem a Saddam que o principal ataque a Bagdá só começaria com a chegada da 4.ª Divisão de Infantaria, por volta de 15 de abril, os russos reforçaram a impressão que os comandantes norte-americanos tentavam criar para pegar os iraquianos de surpresa.
O ataque a Bagdá teve início bem antes da chegada da 4.ª Infantaria, e o regime de Saddam caiu rapidamente. O plano original dos EUA era usar a 4.ª Infantaria para atacar o Iraque a partir do norte, mas a Turquia negou-se a cooperar. Isso levou o general Tommy Franks, que comandou as tropas dos EUA na guerra, a converter o percalço na vantagem da surpresa, atacando Bagdá sem o apoio extra, que permanecia estacionado no Mediterrâneo.
Para o general norte-americano Anthony Cucolo, que comentou o relatório em Washington, a decisão russa de fornecer inteligência ao Iraque de Saddam Hussein foi “movida por interesses econômicos”. Moscou não se pronunciou sobre as revelações do Pentágono.
“A informação que os russos coletaram no Comando Central Americano em Doha (Qatar) é de que os EUA estão convencidos de que ocupar cidades iraquianas é impossível e de que eles mudaram de tática”, diz o relatório, que classifica esse tipo de avaliação como “apenas uma das nuvens que obscureciam as mentes da liderança iraquiana”.
Embora em menor escala que no dia anterior, quando deixou um saldo de 56 mortos, a violência voltou a fazer vítimas ontem no Iraque. O embaixador dos EUA no país, Zalmay Khalilzad, acusou ontem o Irã de praticar um jogo duplo em relação ao Iraque: ao mesmo tempo em que publicamente defende o processo político no país, Teerã dá apoio a milícias clandestinas que espalham o terror pelo Iraque.