Luiz de Gonzaga Bevilacqua nasceu no Rio de Janeiro, em 29 de janeiro de 1912. Foi um dos nomes mais respeitados e admirados em Bauru em virtude das atividades desenvolvidas nos diversos segmentos da cidade. Completou o ginásio no Colégio D. Pedro II, do Rio de Janeiro, e o curso colegial e a Academia do Comércio no Colégio Brasil, em Niterói. Posteriormente, ao prestar concurso no Ministério da Fazenda, em 1932, e conquistar sua classificação, foi designado para servir na Delegacia Seccional do Ministério da Fazenda, em Bauru, junto a antiga Estrada de Ferro Noroeste, tendo tomado posse no dia 11 de outubro de 1932.
Em 1938, na atual Fundação Getúlio Vargas, completou as matérias restantes para a obtenção do título de Economista Profissional. Foi professor no Guedes de Azevedo, onde lecionou Estatística, Matemática Financeira e Contabilidade Pública, de 1933 a 1943. Em 1935 casou-se com Zilda Seabra, de tradicional família bauruense, e teve os filhos Maria Lúcia, Luiz, Mário e Maria Cecília.
Durante toda a sua ação junto a delegacia seccional do Ministério da Fazenda, Bevilacqua sempre demonstrou um grande amor à terra que o recebeu de braços abertos, razão pela qual desde a sua chegada a Bauru desenvolveu múltiplas atividades.
Bevilacqua destacou-se na atuação junto às Santas Casas de Misericórdia e, num reconhecimento a esse trabalho, recebeu a comenda concedida pelo Conselho Superior da Ordem do Mérito das Misericórdias. Em Bauru, fez parte do Conselho e da Diretoria da Santa Casa de Misericórdia, tendo participado do projeto, construção e instalação de seu principal hospital, hoje o Hospital de Base.
Foi o fundador e presidente da Santisa, indústria farmacêutica que fornece medicamentos básicos aos hospitais de quase todas as Santas Casas do Brasil. Por duas vezes presidiu a Federação das Misericórdias do Brasil, entidade da qual também foi sócio-fundador, e integrou a diretoria da Confederação Internacional das Misericórdias.
Sempre teve participação ativa nas realizações do Aeroclube, em cuja escola de pilotagem integrou a primeira turma que aqui tirou o seu brevê no início dos anos 40. Por vários anos presidiu esta entidade e, face a sua dedicação e apoio, recebeu da FAB a Ordem do Mérito Aeronáutico. Foi homenageado pelo Rotary Club de Bauru em razão dos 50 anos de atividades ininterruptas no Clube de Serviço, onde ingressou no dia 20 de maio de 1940 e cujo padrinho foi o médico Alencar de Carvalho.
No campo da conquista do espaço, Luiz de Gonzaga Bevilacqua também é respeitado por sua colaboração, principalmente junto à Comissão Nacional de Atividades Espaciais. Foi chefe do Grupo de Observação de Satélites Artificiais número 811, do Smithsonian Astrophysical Observatory, dos Estados Unidos, e do número 352, da Academia de Ciências da Rússia. Também foi vice-presidente para América Latina do Interamerican Space Research Comite, em Washington.
Integrou, ainda, associações de astronáutica, como a American Rocket Society e Agrupacion Astronautica, da Espanha. Representou o Brasil chefiando delegações nos congressos e conferências internacionais de astronáutica, de 1956 a 1971, realizados em Roma, Barcelona, Amsterdã, Estocolmo, Londres, Washington, Paris, Nova Iorque, Berlim, Viena e Bruxelas.
Foi também chefe da delegação brasileira dos Simpósios de Investigação do Espaço, em Buenos Aires e São Paulo, em 1962 e 1963. Representou o Brasil na Conferência Internacional para o Uso Pacífico do Espaço Cósmico, organizado pela ONU em Viena, em 1989. Na Corte Suprema de Haia, em 1958, Bevilacqua foi o Vice-Chairman no Primeiro Colóquio Internacional de Leis do Espaço.
Em astronomia, Luiz Bevilacqua também fez parte da Societé Astronomique de France, da British Interplanetary Society e da Associação Brasileira de Astronomia e tem várias obras publicadas.