Articulistas

A deputada dançarina


| Tempo de leitura: 3 min

A deputada federal Ângela Guadagnin (PT-SP), ex-prefeita de São José dos Campos, onde tem sua base eleitoral, que já disse que cassação é uma punição dura demais, e que invariavelmente votava contra as cassações no Conselho de Ética (Sic) da Câmara, ao ver que dois novos colegas escaparam àquela punição, perdeu qualquer resquício de bom senso e pudor que quiçá ainda conservasse e saiu dançando em plenário, agitando aquele corpanzil em meio aos demais convivas presentes à confraternização geral.

Ofendeu seus eleitores, e não só eles, mas a todos os cidadãos que esperavam, senão um comportamento minimamente digno de sua parte, ao menos a punição exemplar daqueles integrantes da quadrilha dos outrora 300 picaretas de Lula da Silva, que hoje certamente somam bem mais. Mas ela, com sua lógica peculiaríssima, diz não achar que foi um desrespeito. Foi o quê, então? Um acesso de euforia de uma portadora de distúrbio bipolar?

Esta senhora não tem um bom passado em sua administração na prefeitura de São José dos Campos (SP), pois, a pedido do então ainda mero candidato Lula da Silva, demitiu sumariamente o autor das denúncias de corrupção no Partido dos Trabalhadores, Paulo de Tarso Venceslau, um denunciante de tramóias que veio a ser punido com sua expulsão do PT, da mesma forma que o caseiro Nildo está tendo sua vida bisbilhotada por órgãos do governo-bandido, como a PF, o COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras e a Caixa Econômica Federal, que é subordinada ao denunciado Palocci (por falar nisto, caro leitor, que tal fechar sua conta na Caixa; mudemos o antigo “slogan” para: sai da Caixa você também! Afinal, manter conta num banco onde seu dono desrespeita seu sigilo bancário não é recomendável).

Não adianta, é inevitável citar o lugar-comuníssimo: a pizza está aí, paga pelo público, que não participa da festa. José Dirceu foi ao Supremo Tribunal Federal tentar recuperar seu mandato de deputado federal, e os outros dois cassados haverão de fazer o mesmo. Bobos - mas nem tanto - terão sido aqueles que renunciaram a seus mandatos para escapar à cassação, menosprezaram a capacidade de autopreservação coletiva de seus hoje ex-colegas, mas certamente mendigarão seu voto logo mais, ao final de 2006.

Donde se conclui que as três CPIs (mais a da Terra, que deu em nada) tiveram um resultado de soma zero, no sentido da impunidade ampla, geral e irrestrita, mas bem é de ver que custaram muito dinheiro aos contribuintes. Quem sabe um dia possamos seguir o exemplo dos franceses, que foram em mais de um milhão às ruas pela revogação de uma lei que contraria não interesses miúdos, mas das maiorias, e é bem provável que o governo lá volte atrás. O agora famoso deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) concordou em suavizar o relatório final da CPMI dos Correios, e, para fazer um texto “enxuto” - alguém da platéia pediu isto?- não irá pedir o indiciamento de Luiz Gushiken, o China, ex-poderosíssimo chefe da SECOM - Secretaria de Comunicação e Gestão “Estratégica”. Vale esperar “que nas próximas eleições, ela dance nas urnas”. (O autor, Luiz Leitão, é administrador e articulista político)

Comentários

Comentários