O desenvolvimento tecnológico traz muitas vantagens e comodidades ao homem moderno. No entanto, algumas profissões estão muito próximas do fim justamente por conta da tecnologia. Caso dos consertadores de guarda-chuvas, de máquinas de escrever, de toca-discos e de vídeos-cassetes.
Há algumas décadas, o desenvolvimento de máquinas e aparelhos eletrônicos era lento. Assim, um profissional se especializava no conserto de determinado produto e por anos ficava desenvolvendo aquela função. Elias Tentor, 65 anos, conserta máquinas de escrever há mais de 35 anos e garante que este é o pior momento do ofício. “Antes da popularização do computador, eu tinha serviço o dia todo. Hoje, faz duas semanas que estou praticamente sem trabalho”, conta.
Tentor aprendeu o ofício com um tio e ganhou a vida consertando o atual obsoleto objeto. Ele explica que apenas alguns colecionadores e pessoas que não se habituaram ao uso do computador continuam requisitando seus serviços. “Acredito que a profissão não vá acabar, pois sempre haverão apreciadores das máquinas de escrever, pessoas que não gostam de computadores, mas já se tornou um ofício muito limitado em termos de demanda de serviço”, afirma.
A modernização dos objetos exige desenvolvimento e adaptação dos profissionais. Assim pensa Elias Ferraz, 50 anos. Há 30 anos consertando vídeos-cassetes, televisores, toca-discos, toca-fitas, fornos e microondas, ele ressalta que precisou buscar novos horizontes para manter-se no mercado de trabalho. De acordo com ele, o número de vídeos-cassetes, toca-discos e toca-fitas que aparecem para serem consertados são poucos. “Hoje, arrumo mais televisões, aparelhos de DVD, microondas, mas sempre vão existir aqueles que insistem nos aparelhos antigos”, diz.
Ferraz, que fez o curso de eletrônica na Fundação Educacional de Bauru (FEB) e estagiou nas fábricas da Philco e da CCE, salienta que alguns fregueses ainda consertam seus vídeos-cassetes e toca-discos pois têm gravações de casamentos, formaturas e aniversários em videotape ou querem escutar o velho disco de vinil. “As tecnologias se desenvolvem muito rápido hoje em dia. Daqui a dois ou três anos o próprio DVD vai estar ultrapassado. Então, tem que sempre estar aprendendo coisas novas”, garante.
Depois da chuva
Foi-se o tempo em que chovia na horta do senhor Wilson Vergílio Nava, 68 anos. Morador do Jardim Coralina e consertador de guarda-chuvas e guarda-sóis desde os 12 anos, ele comenta que os contrabandos e os produtos chineses acabaram com seu ofício. “Para consertar um guarda-chuvas cobro, em média, R$ 3,00 a R$ 4,00. Por este preço, hoje, você encontra um produto novo. Novo, mas de péssima qualidade”, afirma.
Graças aos guarda-chuvas e guarda-sóis que consertou ao longo dos últimos 56 anos, Nava conseguiu comprar casa, carro e sustentar três filhos. “Há alguns anos, eu tinha uma fábrica em que confeccionávamos uma média de 8 mil guarda-chuvas por mês. Agora, só os fregueses antigos ainda buscam meus serviços. A profissão está quase em extinção”, comenta.
Nava acredita que quase tudo o que é fabricado atualmente é descartável. Para efeito de comparação, ele cita a edificação de imóveis. “Hoje, a maioria das construções é feita com tijolo baiano, que ocupa mais, sai mais barato, mas é bem pior. Antigamente, as casas eram feitas de tijolo maciço, feitas para durar”, frisa.