Por que, quando pela televisão ou pelos jornais ficamos conhecendo os casos de corrupção, sentimos uma revolta contra os safados que se aproveitam do dinheiro dos impostos que pagamos, achando uma coisa desonesta e criminosa, e depois quando recebemos uma multa de trânsito ficamos com disposição de dar dinheiro a alguém para quebrar o galho?
Por que o pessoal do PSDB não sente acanhamento em achar que a propaganda do governo federal e as inaugurações que o Lula vem fazendo são pura campanha política, e querem processá-lo, enquanto o Alckmin vem fazendo a mesma coisa? E vice versa? Um palestrante, com receio de ser cansativo, diz que será breve para não aborrecer o auditório. Depois começa a falar e não para mais, apesar dos bocejos da assistência. Por que ele não se dá conta e vai até o fim do que quer dizer, mesmo com o auditório já reduzido?
As notícias e os comentários de especialistas sobre a prevista escassez de água nos deixam assustados, pensando que os nossos netos, e até os nossos próprios filhos venham a viver esse tormento. Depois escovamos os dentes por minutos, com a torneira totalmente aberta, lavamos o carro, varremos a calçada com a ‘vassoura hidráulica’, prolongamos o banho com a ducha no máximo e nos momentos de meditação continuamos preocupados com o destino do aqüífero Guarani.
Por que não conseguimos fazer exatamente do jeito que imaginamos ser correto? Que força é essa que nos impele a agir do modo como agimos? Segundo Chris Argyris, da área de Psicologia da Universidade de Harvard, isso acontece porque nosso comportamento é comandado por modelos mentais, que são imagens internas profundamente arraigadas de como o mundo funciona, imagens que nos limitam a maneiras habituais de pensar e agir. Eles limitam as ações ao que é habitual e cômodo.
Os modelos mentais ficam abaixo do nível de consciência conduzindo os nossos atos sem que o percebamos na ocasião. Para trazer os modelos mentais ao plano da consciência, a fim de criarmos coerência entre o que pensamos e o que fazemos, Chris Argyris sugere um exercício chamado ‘coluna da esquerda’. Tomando um fato que tenha sido significativo - uma negociação, um problema familiar - dividimos uma folha de papel ao meio, no sentido vertical. Na coluna da esquerda escrevemos o que fizemos, ato por ato, e na coluna da direita escrevemos, na frente de cada ato, o que estávamos sentindo e pensando na ocasião. Feito com seriedade e isenção de ânimo, o exercício nos mostra as discrepâncias entre os nossos juízos e as coisas que fazemos. Vale a pena experimentar.
O Rotary sugere uma fórmula, adotada desde a década de 1940, por ter sido aplicada com incrível sucesso na recuperação de uma grande empresa em processo de falência. Chama-se Prova Quádrupla, do que pensamos, dizemos ou fazemos: 1 - É a verdade? 2 - É justo para todos os interessados? 3 - Criará boa vontade e melhores amizades? 4 - Será benéfico para todos os interessados? (O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru)