Polícia

Bauru amarga crimes sem solução

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Crimes sem solução. Quando o assunto é esse, Bauru tem marcas profundas que ainda não cicatrizaram. O caso Mara Lúcia Vieira, morta na década de 70, é um exemplo que a qualquer tempo retorna à memória do bauruense. Mas como a história é feita de fatos, outros crimes mais recentes continuam sem solução, conforme mostram as estatísticas da seccional Bauru da Polícia Civil nos dois primeiros meses deste ano, em relação aos casos de autoria desconhecida.

O desaparecimento do corpo do empresário José Olyntho Machado, o caso do jovem Claudionor dos Santos Queirós, 26 anos, encontrado morto e carbonizado dentro de um veículo, na estrada que liga a estação de captação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) à rodovia Elias Miguel Maluf, e a morte do adolescente Bruno Lima, 16 anos, em frente ao cemitério Cristo Rei, são alguns casos que continuam sem solução.

Além disso, as estatísticas da Polícia Civil - encarregada do trabalho investigativo - mostram que ao invés de evoluir, o índice de esclarecimentos vem caindo. Em fevereiro de 2005, dos 1.008 casos de crimes de autoria desconhecida registrados em Bauru (todo tipo de crime), somente 205 foram esclarecidos, ou seja, índice de 20,3%.

No mesmo período deste ano, dos 820 casos registrados, somente 79 foram solucionados. Conclusão: o índice de esclarecimento caiu para 9,6%, ou seja, mais acanhado que o verificado no ano todo de 2005, que foi de 19,3%.

No mês de janeiro de 2006, o índice também ficou aquém do verificado no mesmo período no ano anterior. De 20,1%, caiu para 18,2%.

Os dados revelam, ainda, que um dos crimes que mais preocupam a população, o homicídio, tem índices de esclarecimento próximos do ideal. Em todo o ano de 2005 foram registrados 41 mortes criminosas, sendo 35 de autoria desconhecida. Do total de casos, 23 foram solucionados (índice de 65%).

Em janeiro e fevereiro deste ano, os índices de esclarecimento de homicídios atingiram 100% e 150%, respectivamente. Segundo a polícia, as estatísticas mostram o índice de 150% porque, no mês de fevereiro, foram solucionados crimes ocorridos em outros meses (por isso a porcentagem passa de 100%).

Pelo que mostra o levantamento, a polícia não dá trégua para os homicidas e a solução dos assassinatos é mais rápida, em comparação com a de roubos em geral. Em janeiro do ano passado foram registrados 82 roubos, sendo esclarecidos 12 (índice de 14,6%). No mesmo mês deste ano o número de roubos baixou para 61, sendo apenas sete solucionados (11,5%).

O crime de roubo de veículo também teve baixo índice de esclarecimento nos dois primeiros meses deste ano. Em janeiro de 2005 foram roubados nove veículos, sendo quatro casos solucionados 44,4%). Em janeiro deste ano foram registradas três ocorrências desse tipo, porém, em nenhum caso foi descoberta a autoria do crime. Em fevereiro de 2005, dos quatro casos registrados, três foram esclarecidos (índice de esclarecimento de 75%). Já em 2006, dos quatro registrados, nenhum foi solucionado.

Durante todo o ano de 2005, as ocorrências registradas como furto simples tiveram índice de esclarecimento de apenas 4%. Em janeiro deste ano caiu para 3,4%, e em fevereiro para 1,6% - isso significa que, dos 317 casos registrados pela polícia, somente cinco foram solucionados.

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Avaliação

O delegado seccional de Bauru, Donizete José Pinezi, avalia que os índices de esclarecimento dos crimes registrados devem decolar a partir deste mês. Para ele, o mês de fevereiro foi atípico em função do período de mudanças nas delegacias, e isso refletiu no trabalho das equipes. “Foi um mês que nem deveria ser contado. Eu assumi o cargo no início de fevereiro e as transferências foram altamente positivas.”

Pinezi acredita que os resultados das mudanças vão aparecer logo. “Neste mês, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) esclareceu 12 roubos com a prisão de três indivíduos. Só três homicídios registrados este ano não estão esclarecidos, que são o do corpo carbonizado e os dois ocorridos na segunda-feira passada.”

Para a polícia, o caso do adolescente morto em frente ao cemitério Cristo Rei está esclarecido, apenas o autor não está preso. “Prender é questão de dias.”

Pinezi frisa que a falta de informações é o maior obstáculo para as investigações. “As pessoas têm medo de testemunhar e de fornecer informações para a polícia. Na Civil temos dois números (de telefone), 147 e 181, que podem ser usados pela população para passar informações anônimas”, ressalta o delegado.

De acordo com Pinezi, os crimes que mais preocupam são os homicídios, seguidos de roubo, furtos e tráfico. “Estamos realizando operações nos desmanches para diminuir o número de furtos e roubos de veículos.”

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