Regional

Botucatu suspeita de dengue autóctone

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu – A Vigilância em Saúde Ambiental de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) investiga um caso de suspeita de dengue autóctone na cidade. Um rapaz de 17 anos morador da Vila Antártica é suspeito de ter contraído a doença dentro do próprio município.

Na semana passada, a Vigilância em Saúde Ambiental foi notificada do caso e, de acordo com as investigações, o rapaz não teria se deslocado para nenhum outro município da região num prazo de 15 dias anteriores aos sintomas da doença. Isso levou a Vigilância em Saúde Ambiental a suspeitar de que ele teria contraído a doença na própria cidade.

Se confirmado o caso de dengue autóctone no município, segundo o veterinário Cassiano Victória, a situação se torna preocupante. Segundo ele, o índice de Breteau, que mede a quantidade de larvas do mosquito Aedes Aegypti, apresentou valor de 5,27, ou seja, dez vezes maior que o valor verificado na última avaliação.

De acordo com o coordenador da equipe de Vigilância em Saúde Ambiental de Botucatu, Jonas Brant, o índice de transmissão da doença este ano está bastante alto em todo o Estado de São Paulo. “Isso também acaba facilitando que pessoas venham de fora com a doença e ela se espalhe nos municípios”, ressalta.

O índice elevado é atribuído principalmente às condições climáticas dos últimos meses com períodos de calor e fortes chuvas. “A falta de conscientização da população na eliminação dos possíveis criadouros do mosquito, como pratos de vasos de planta com água parada, ralos, calhas, pneus e caixas d’água também contribuiu com esse índice”, explica o veterinário.

Bloqueio

Como sempre acontece nos casos de suspeita de dengue, os agentes de saúde do município realizaram na área do foco um trabalho de bloqueio com a remoção de possíveis criadouros do mosquito. Num raio de 500 metros ao redor do local foi feito uma busca ativa de novos casos suspeitos. “A princípio nós não localizamos nenhuma outra pessoa com sintomas na região do morador. Então, isso deixou a gente mais calmo de que a doença ainda está numa fase bastante inicial”, comenta Brant.

Ele explica que 30 agentes de saúde estão trabalhando nas atividades de visitas às residências e na sensibilização da população sobre o problema. “Temos atividades na rodoviária, que é a principal ponte de entrada da cidade de pessoas de fora para sensibilizar os viajantes caso voltem com a doença para a cidade”, explica.

A Secretaria Municipal de Saúde pede a colaboração da população para que redobrem a atenção em suas residências a fim de localizar e remover possíveis criadouros do mosquito. “Sem a colaboração ativa da população na remoção de todos os criadouros em seus domicílios e nos terrenos vizinhos, teremos dificuldades na eliminação total do risco. Estamos trabalhando intensamente, mas dependemos de cada cidadão”, ressalta Cassiano.

Uma amostra de sangue do rapaz (com suspeita de dengue) foi coletada no final da semana passada e apesar de um laboratório particular ter confirmado a doença, a secretaria enviou a amostra para um instituto credenciado pela Secretaria de Saúde do Estado. O Instituto Adolfo Lutz, em Sorocaba, deve divulgar o resultado do exame dentro de 20 dias.

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