Andar nas alturas, entre copas de árvores. É assim que muitas pessoas têm buscado novos desafios. Entre as diversas atividades radicais –raffiting, canyoning, rapel, bóia-cross – já consolidadas entre os amantes da adrenalina, o arvorismo está ganhando espaço. Em Bauru, o Serviço Social do Comércio (Sesc) oferece a prática, em períodos específicos, e a empresa Tizanga, atende clientes com estrutura móvel.
A pratica é recente no Brasil e no mundo. Para alguns é classificada como esporte radical. Para outros, como o instrutor Márcio José Pinheiro Teixeira, da Tizanga, é um segmento das atividades de aventura. “Não considero esporte porque não são realizadas competições. Na Europa há competição. No Brasil algumas empresas fazem competições entre seus instrutores. Mas só”, afirma.
Para Teixeira, o arvorismo se insere no turismo de aventura. Sua origem também tem versões distintas, que se assemelham em alguns aspectos. Para alguns, o arvorismo foi criado em 1997, quando ativistas ecológicos, para impedir o desmatamento de uma pequena floresta na Inglaterra, incentivaram a sua exploração de uma forma nãopredatória. Em seguida, teria se transformado em esporte na Nova Zelândia.
Outra explicação para a origem da prática seria de que teria surgido, na Europa, como um instrumento para pesquisadores realizarem estudos da fauna e flora, sobre espécies que são encontrados somente nas copas das árvores, como bromélias, pássaros, primatas, entre outros.
A partir de então, praticantes de técnicas verticais teriam adaptado o conceito de arvorismo até tornar-se uma modalidade de esporte ecológico. Teixeira compartilha desta versão. Segundo ele, a prática surge a partir do canopy (apreciação da natureza, safari fotográfico, contemplação e pesquisa de pássaros).
Pessoas adeptas do canopy, passaram a buscar empresas que criassem estruturas que possibilitassem o caminhar nas alturas nas matas, passando de uma árvore para outra.
“Na Costa Rica, por exemplo, hotéis colocam estruturas na mata, com pontes, tirolesas, com técnicas de locomoção no topo de árvores, para atender os pesquisadores de pássaros”, afirma Teixeira.
Segundo o instrutor, as empresas passaram a unir o conceito de canopy com o conhecimento dos montanhistas em técnicas de segurança em altura, criando o arvorismo como atividade de aventura. No Brasil, chegou em 2001.
De árvore em árvore
A prática é simples, porém desafiadora. Através de trilhas aéreas, as pessoas devem se locomover de uma copa de árvore à outra. O desafio está na altura e nos obstáculos que devem ser vencidos na travessia.
Os circuitos têm, segundo Teixeira, entre 40 a 50 tipos de trechos diferentes, feitos de redes, troncos, pontes de três cordas, pontes pênseis, escadas de corda entre outros. Teixeira exemplifica: o trecho mais fácil é o da “Falsa Baiana”.
Consiste em um cabo de aço em cima e outro embaixo. O praticante faz a travessia segurando no cabo de cima. Já o trecho estribos é mais radical. São vários estribos (cordas com uma espécie de argola na ponta de baixo) pendurados em um cabo e que ficam soltos no ar. A pessoa faz a travessia deslocando os pés de uma argola a outra.
No Brasil, os circuitos podem ter alturas desde quatro metros até 23, 25 metros e extensão desde 30 metros até 378 metros (Florianópolis). Para garantir a segurança o praticante faz todo o percurso preso a dois cabos de aço de segurança através uma solteira.
As montagens podem ser feitas mo interior de matas e florestas, mas também em outros ambientes. “Quando não há árvores altas é preciso artificializar o ambiente”, explica Teixeira. Nestes casos, são fincados no chão estruturas de ferro ou toras de eucaliptos tratados.
Os equipamentos adequados são primordiais para esta atividade, alerta o instrutor. O kit é formado por cadeirinha, cabo de segurança, mosquetão, polia e capacete. Monitores treinados fazem todo o acompanhamento.
“O praticante deve procurar saber se os equipamentos possuem certificado de qualidade, a carga que os cabos vida suportam, o tempo de experiência dos instrutores. Tudo isto é fundamental para garantir a segurança”, alerta Teixeira.