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Dança do deboche


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Todos nós, um dia, fizemos alguma coisa que nos causou arrependimento. A maioria das pessoas já cometeu alguma gafe na vida. Com comparações surradas ou impolidas, o presidente, por exemplo, é um desses que vive metendo os pés pelas mãos, abusando de mancadas. Mas, nada disso se compara à dança debochada da deputada Ângela Guadagnin (PT), em plena Câmara dos Deputados.

Muitos abordaram o tema e, portanto, estaremos chovendo no molhado – para usar um clichê ao gosto do presidente. Mas, por que evitar a repetição, se nossos próprios mandatários são os primeiros a repisar sempre as mesmíssimas condutas anti-éticas e os mesmíssimos arranhões à decência e respeitabilidade?

Essa Ângela Guadagnin, ex-prefeita de São José dos Campos (SP), médica pediatra, contando com mais de meio século de existência, já teria, por esses e outros quesitos, razões suficientes para ter um pouco mais de brio na cara. Não se debocha assim de uma nação inteira, comemorando em plena Câmara dos Deputados a vitória da impunidade e da sem-vergonhice.

Essa senhora deveria ser cassada por falta de decoro. Faltou-lhe adequação à realidade, senso do ridículo, maturidade, pundonor e, sobretudo, dignidade. Comemorar no plenário a absolvição de seu coleguinha petista/mensaleiro João Magno, que recebeu mais de 400 mil reais do valerioduto, com uma dança grotesca, é bem o retrato do cinismo na política brasileira.

Com razão disse o senador Arthur Virgílio (PSDB): “O governo Lula apodreceu.” Nem vamos aqui citar outras centenas de mazelas desse governo que, caindo aos pedaços, exala, dia após dia, um odor pútrido, infecto. Em meio a desculpas deslavadas, não consegue dissimular esse cenário político nauseabundo e contaminado, punhal cravado em nossas esperanças.

Esses desmandos petistas, essas trapaças, esses gestos destrutivos da civilidade são um atraso para o país. Por isso, chamam-nos lá fora de republiqueta de bananas. Nossas retinas estão cansadas de tamanha imoralidade, de tamanho escândalo. Nunca se viu tanta cara de pau dando as cartas, tanta incompetência e inidoneidade brotando como praga.

Que esperar de quem comemora, dançando na Câmara, a não-cassação de amiguinho político beneficiado com dinheiro escuso, sujo? Tomar grana para pagar dívidas de campanha - desculpa da maioria dos deputados pegos com a boca na botija - acaso torna esses recursos ilícitos menos imundos? Dona Ângela Guadagnin transformou-se no emblema da podridão nacional. A posteridade lhe outorgará o diploma do deboche, do cinismo, da desfaçatez. Estão nos tratando como palhaços, fantoches, bonecos de engonço, bonifrates, marionetes, títeres, autômatos... Se houve exagero na sinonímia, a culpa é da indignação! Estamos esperando o quê, hein?

A autora, Maria da Glória De Rosa, é colaboradora de Opinião, e-mail: mgderosa@uol.com.br

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