Política

Educação ‘puxa’ paralisação dos servidores

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

O primeiro dia de paralisações do funcionalismo municipal em Bauru, ontem, teve adesão em seis unidades da educação, sendo cinco creches e uma escola de ensino infantil, além de um núcleo de saúde. Mas em nenhuma das unidades o movimento levou à inatividade. Apesar das dificuldades iniciais em razão do movimento, a prefeitura contabiliza menos de 3% de adesão, enquanto que o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) avalia como positiva a participação no primeiro dia.

A diretora do sindicato Idelma Corral conta que a entidade contabilizou que cerca de 200, dos 4.900 servidores da gestão direta, aderiram ao movimento na manhã de ontem – a absoluta maioria da Secretaria Municipal de Educação. Mas a Secretaria Municipal de Administração registrou, na prática, apenas 135 faltas, o correspondente a 2,7% dos servidores.

A greve gerou dificuldades pontuais nos setores. No Núcleo de Saúde Santa Edwirges, a ausência de funcionários desorganizou as filas e atrasou os atendimentos. A dona de casa Lucilene Ferreira de Oliveira encontrou fechados os portões da Emeii Maria de Fátima Lima, no bairro Pousada da Esperança. Os dois filhos – um de três e outro de dois anos – não puderam entrar. Oliveira e outras mães concentraram-se no portão da escola, na tentativa de reabri-la. A diretora da instituição não quis dar entrevista, mas informou que apenas quatro dos 15 funcionários não aderiram ao movimento.

As mães também reclamaram do atendimento na creche. “Falta funcionário para cuidar das crianças e a condição do prédio é precária”, diz. “As crianças do berçário, por exemplo, estão saindo à 13h porque não tem funcionário suficiente para ficar com elas. O horário certo era para elas saírem era às 16h30”, conta. A mãe disse que se ofereceu até para fazer trabalho voluntário na creche, mas o pedido foi recusado. “Me disseram que a creche não pode ter voluntários”, falou.

Lurdes Dias Tiago, mãe de um garoto de 5 anos que freqüenta a creche, aproveitou para reclamar por melhorias na unidade, criticando que a chuva invade a sala em que as crianças ficam. “Chove mais lá dentro do que fora da escola”, garante. “A escola precisa de reformas”, conclui.

Transtornos

Além da área de Educação, a Saúde também foi afetada pela greve, mas esta última área em apenas uma unidade. No Núcleo de Saúde Santa Edwirges, faltaram 10 funcionários (auxiliares de enfermagem e de limpeza e recepcionistas), segundo a diretora de divisão ambulatorial, Lucila Bassi.

Houve demora nas filas e falta de informação aos pacientes. Às 9h30, a dona de casa Vera Bianco aguardava para conversar com a assistente social. Outras aproximadamente 12 pessoas também aguardavam atendimento. “Estou esperando desde às 7h30 e ninguém explica direito o que está acontecendo. Não tem vacina e não dá para marcar retorno com o médico”, diz.

Silvia Cristina da Cruz Antonin também esperou bastante para ser atendida. Chegou às 7h30 para pegar uma das 32 senhas para atendimento médico. Por volta das 9h30 ficou sabendo que não conseguiria consulta no mesmo dia. “Uma funcionária pediu para eu ficar esperando, mas estava tudo desorganizado. Acho que passaram na minha frente”, disse.

Ontem, os sindicalistas fizeram a primeira assembléia às 8h. Ainda pela manhã, os servidores que estavam concentrados no sindicato, localizado na quadra 9 da rua Cussy Jr, saíram em comboio de seis carros para ‘convocar’ outros funcionários para a greve.

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