A sensação de inchaço externada por e-mail pelo astronauta Marcos Pontes pode ser conseqüência da pressão atmosférica. Ela é menor, quanto mais alta a nave estiver. A Estação Espacial Internacional, onde o tenente-coronel realiza seus experimentos, está a 350 quilômetros de distância da Terra.
“Embora os equipamentos, a nave, a estação espacial e as roupas sejam estruturas pressurizadas e tentem compensar a baixa pressão atmosférica, ainda assim ele está num ambiente onde a pressão é mais baixa da que estamos acostumados”, explica Alberto Briane, professor de medicina aeroespacial da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da Instituição Toledo de Ensino (ITE).
Por essa razão, na avaliação de Briane, é provável que Pontes esteja mesmo levemente inchado. “Mas (o inchaço) é compatível com a sobrevida e com a permanência lá em cima. Já está tudo programado”, tranqüiliza o médico. Ele lembra que até mesmo em viagens longas de avião, os passageiros são aconselhados a tirar os sapatos. Neste caso, os pés, literalmente, incham.
“A gente aqui na Terra está submetido a uma pressão atmosférica ideal ao nosso corpo. O ser humano aqui, durante os séculos, foi se adaptando a essa pressão atmosférica, ideal para ele. Quando você está lá no espaço, ela é menor”, reitera. Mas como os humanos apresentam grande capacidade de adaptação, também conseguem conviver com a ausência da força de gravidade.
Mas a ausência dessa força invisível que nos prende ao solo também provoca diversas transformações no organismo. Entre elas, está o inchaço das veias do pescoço, informa o site Ciência Hoje. A sensação foi percebida por astronautas poucos minutos após saírem da atmosfera da Terra. Já a Estação Espacial está situada na heterosfera, a penúltima camada da atmosfera, que fica entre o 100 e 500 quilômetros de distância da Terra.
Nesta camada, a distribuição de gases é irregular, explica o Almanaque Abril. Diante das variações, o pulmão do astronauta também pode ser afetado porque na superfície terrestre os níveis de oxigênio são constantes. No espaço, não.
Ainda segundo o site Ciência Hoje, outros efeitos são sentidos por quem está no espaço, como a alteração do paladar e do olfato. Distante da Terra, só se consegue degustar comidas muito temperadas.
____________________
Psicológico
Nas viagens mais longas, os astronautas têm ainda que enfrentar problemas psicológicos. Isso porque ficam confinados num espaço limitado e isolados da vida normal da Terra, além de conviverem com grupo pequeno de companheiros, freqüentemente de outras nacionalidades.
Essas mudanças podem provocar ansiedade, insônia, depressão, além de criar situações de tensão na equipe, informa o site Ciência Hoje. Quando retornam à Terra, novas mudanças ocorrem no organismo. Normalmente, o corpo só volta ao normal uma ou duas semanas após o retorno, embora os efeitos da falta de gravidade sejam completamente reversíveis.
No entanto, neste período de transição, muitos astronautas ficam desorientados e não conseguem manter o equilíbrio, além de apresentarem enfraquecimento dos ossos.