Trabalhar deveria ser, em tese, sinônimo de crescimento profissional, satisfação pessoal e prosperidade. Mas, para muitos profissionais, o trabalho é sinônimo de insatisfação e desgaste físico e mental. É evidente que não se pode, o tempo todo, viver em estado de eterno prazer na questão profissional. Sempre aparecem contratempos e dificuldades já que o trabalho também pressupõe a interação com outras pessoas, que nem sempre concordam e nos ajudam nas jornadas diárias. Só que, nas modernas relações do trabalho, alguns fatores são fundamentais para empregadores, empregados e profissionais autônomos. Em primeiro lugar, ninguém pode desenvolver plenamente seu potencial se estiver enfrentando algum problema físico ou de saúde.
Assim, exames médicos regulares, programas de terapia individual e coletiva, treinamento constante e ações de integração entre trabalhadores, como pausas para exercícios físicos coletivos, podem definir o que é e o que não é uma empresa moderna e sintonizada com os novos tempos. Qualquer empresa moderna tem, por exemplo, programas de prevenção e combate ao uso de drogas e ao alcoolismo. Mas muitas empresas sequer verificam se seus novos funcionários estão em condições de desempenhar as tarefas que lhes serão confiadas. É o caso, por exemplo, das usinas de álcool e açúcar. A maioria está instalada no interior de São Paulo, estado que, supostamente, mais fiscaliza ass condições de trabalho. Essas usinas, no entanto, se utilizam largamente de mão-de-obra arregimentada por “gatos”, que buscam trabalhadores braçais em regiões de grande miséria, como o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, interior da Bahia, Alagoas e Maranhão. Muitos desses trabalhadores possuem graves problemas de saúde adquiridos por desnutrição ou doenças infecto-contagiosas. Só no ano passado, 12 trabalhadores rurais morreram na colheita de cana-de-açúcar. Os atestados de óbito mostram que muitos tinham doença de chagas, que seria facilmente identificada em um exame de sangue. Essas pessoas, ao invés de trabalhar, deveriam estar de licença médica pelo INSS e tratamento médico. As usinas de álcool e açúcar, que sempre reivindicaram generosos incentivos fiscais do governo, estão ganhando rios de dinheiro, mas não demonstram qualquer responsabilidade social com os funcionários contratados por empreitada pelos “gatos”.
Assim como a grande maioria das empresas não se preocupa com a realização de exames médicos periódicos de seus funcionários. Aliás, quantas são as pessoas que se preocupam em fazer, pelo menos, um exame de sangue, um exame bucal ou um exame oftalmológico por ano? O ideal, depois de certa idade, lá pelos 35, 40 anos, seria fazer check ups completos uma vez por ano. Esse tipo de preocupação deveria fazer parte da rotina de todas as empresas e de todos os trabalhadores e reduziria o número de inúmeras doenças incapacitantes, como câncer, enfarte ou diabetes. Também deveria ser constante a preocupação com as condições do ambiente de trabalho. Acomodações mais anatômicas, instalações mais práticas e saudáveis ajudam a tornar mais agradável o convívio e a execução de tarefas nem sempre muito agradáveis.
Nunca é demais lembrar aquele velho ditado: prevenir é melhor que remediar. Ao invés de gastar rios de dinheiro na tentativa de curar quem já adoeceu, seria muito mais sensato investir na prevenção de prováveis doenças, oferecendo a possibilidade de uma velhice com qualidade de vida.
O autor, Paulo Pereira da Silva, é presidente da Força Sindical e do PDT de São Paulo