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Hino Nacional embala ano cívico

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Além de ser marcado pela primeira viagem do astronauta brasileiro Marcos César Pontes, 2006 também será reverenciado pela Copa do Mundo e pela sucessão presidencial. Frente à disputada “agenda cívica”, recomenda-se voz afinada para entoar tantas vezes o Hino Nacional, cuja data é comemorada hoje. Criado para difundir valores verde-e-amarelos sempre bem estabelecidos, neste ano, ele também se transformará na tal “pátria de chuteira”.

“É um instrumento de identidade. Na Copa do Mundo, os próprios jogadores se dizem emocionados quando cantam. Em qualquer evento esportivo, a participação das pessoas é espontânea. Isso significa: esta é minha identidade”, diz a professora de história Sonia Mozert.

Entoado em períodos históricos diversos – passando pelo início da República, pelos anos de chumbo e pela então esquerda de Lula, por exemplo -, ele pode ser apropriado de maneiras variadas. Além de ser adotado como símbolo de um povo, também pode ser empregado frente a um oponente, comenta o professor de história Célio Losnak.

“É uma referência quando as pessoas vão se opor a um inimigo externo. É um símbolo que foi criado com um sentido, circula pela sociedade e os segmentos sociais se apropriam para expressar uma identidade”, reitera. No entanto, este instrumento estabelecido para exacerbar a idéia de união do grupo nacional muitas vezes é utilizado como forma de manipulação ideológica, acrescenta o doutor em psicologia social Celso Zonta.

“A idéia de identidade nacional tem seu fator contraditório. Pode servir como manipulação de um determinado governo, mas se conscientizado, também pode contrapor (a forças hegemônicas) de outro país sobre o nosso”, explica. Apesar das questões subliminares balizarem a utilização do hino, ele só cumpre seu papel quando acolhido socialmente. Por essa razão, ele poderia, inclusive, ser aplaudido.

A medida contraria a “etiqueta” estabelecida por lei. “É um ato espontâneo. Deveria haver uma modificação (da conduta prevista)”, defende Marli Baccan, relações públicas e jornalista que há 20 anos trabalha com cerimoniais na área pública.

Na opinião dela, o hino é um símbolo de identidade nacional, tanto quanto a bandeira, cujas cores atualmente estão estampadas nas vestes populares. “Tem gente até fazendo kit (como preparativo para a Copa)”, conclui.

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A história

O Hino Nacional nasceu em 1831 para comemorar a abdicação de Dom Pedro I, explica a professora de história Sonia Mozert. No entanto, após a proclamação da República em 1889, ele foi utilizado como propaganda para difusão de valores republicanos, acrescenta Célio Losnak, também professor de história.

“Logo após a República, foi feito um concurso para eleger o Hino Nacional, mas a música que ganhou não pegou. Aí voltaram ao hino antigo e colocaram uma letra nele. O autor da música e o da letra nunca se viram porque tinham quase 70 anos de distância um do outro. Ela ficou complicada. A tal ponto que muita gente não sabe colocar o primeiro verso na ordem direita”, afirma Sonia.

Neste caso, a letra começaria assim: “As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico”.

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