Darmstadt - Cientistas europeus comemoraram ontem o sucesso da entrada em órbita da sonda robótica Venus Express, ultrapassando um estágio crítico da missão, que tem como objetivo explorar o clima e a atmosfera hostil do planeta mais próximo da Terra.
A equipe do centro de controle da Agência Espacial Européia (ESA) em Darmstadt, Alemanha, gritou, bateu palmas e se abraçou quando uma linha verde indicando um sinal claro da espaçonave apareceu em suas telas. Ela significava que a manobra de inserção orbital havia sido completada. “É uma missão fantástica para nós. Finalmente chegamos a Vênus”, disse Don McCoy, gerente da missão.
Durante as próximas semanas, os pesquisadores começarão a ligar e testar os sete instrumentos científicos da sonda. Em junho, eles esperam começar a obter informação sobre como Vênus, apesar de semelhante com a Terra em tamanho e constituição geológica, terminou com uma atmosfera tão quente e densa, repleta de nuvens de ácido sulfúrico.
A Estrela Dalva, como o planeta também é conhecido, intriga os cientistas há anos. As temperaturas em sua superfície ultrapassam os 465ºC, o suficiente para derreter chumbo. A pressão atmosférica é 90 vezes maior que a da Terra. Ainda assim, Vênus e Terra compartilham muita coisa.
Ambos são planetas pequenos e rochosos, orbitando na chamada zona habitável do Sistema Solar - uma região que em teoria não é quente demais nem fria demais para a existência de água líquida. Mas aconteceu alguma coisa na história de Vênus que o transformou no lugar infernal que ele é hoje - quente, seco e com um efeito estufa descontrolado.
A Venus Express pode ajudar a resolver o mistério. “Poderemos estudar a baixa atmosfera de Vênus pela primeira vez; Vênus se transformou em nossa irmã desviada, ou gêmeo mau, e poderemos tentar ver por quê”, disse o cientista britânico Andrew Coates, do Laboratório Mullard de Ciência Espacial.
Se tudo der certo, a sonda da ESA ficará ativa por 500 dias, extensíveis por mais 500. A Venus Express foi lançada a bordo de um foguete russo de Baikonur, Cazaquistão, em novembro do ano passado. A missão custou US$ 260 milhões (cerca de R$ 570 milhões) à agência européia.