Nas férias escolares, as crianças aproveitam para brincar e “aprontar” mais. É o período de descanso e já previsto todos os anos. O que os pais não esperam é que ainda no segundo trimestre do ano, as crianças tivessem férias forçadas. Na greve dos servidores municipais, a maior adesão é da educação. Ontem, 211 servidores estavam em greve segundo contabilização da prefeitura. Com as crianças em casa, os transtornos para os pais aumentam.
O carpinteiro Luiz Antônio de Oliveira já perdeu as contas dos trabalhos que precisou dispensar para cuidar do filho caçula de 5 anos, Gustavo Furtado. Ele é matriculado na creche Felix Aparecido Costa, na Vila Ipiranga, mas não freqüenta a instituição desde a semana passada devido à greve. “Ele adora fazer arte. Tenho que ficar de olho porque qualquer coisa ele abre o portão e sai para a rua”, diz. O quintal da casa é de terra e vira parque de diversão para o garoto. “Ele fica o dia inteiro brincando no quintal”, conta Oliveira. Ontem, o menino estava vestido com uma fantasia de índio, sentado no chão de terra, sem preocupação.
Antônio Coronel, pai de Vitor Hugo, de 5 anos, também aluno da creche da Vila Ipiranga, recupera-se de uma cirurgia no joelho e fica a maior parte do dia em casa. “Preciso ficar de olho no Vitor porque ele só faz arte. Estou andando de muletas e é difícil ficar atrás dele”, conta o pai. Ele preocupa-se com as famílias que não tem com quem deixar os filhos.