Bariri - A não-realização de autópsia no corpo de uma mulher de 23 anos, morta este final de semana em Bariri (56 quilômetros de Bauru), revoltou parte da família. Desconfiada de que possa ter havido erro médico, a assistente social Marleide Lucinda da Conceição, não se conforma com o fato do corpo de sua sobrinha, Isabela Aparecida dos Santos, 23 anos, ter sido enterrada sem que fosse informado ao certo o que provocou a morte dela.
Isabela deu entrada no pronto-socorro da Santa Casa de Bariri na sexta-feira passada. Ela foi medicada e permaneceu internada até a manhã de anteontem, quando morreu por volta das 8h.
De acordo com Marleide, os médicos que atenderam sua sobrinha não chegaram a um diagnóstico preciso da doença. Segundo ela, no atestado de óbito teria sido anotado que a causa da morte foi uma parada cardíaca e que havia suspeita de lupus - doença crônica de causa desconhecida.
Isabela trabalhava como enfermeira do programa saúde da família. Ela havia sido internada outras vezes, sem que os médicos descobrissem o que ela tinha. Marleide lembra que, na quinta-feira, um dia antes de Isabela ser novamente internada, sua sobrinha estava bem. Antes de morrer, ela teria comentado que começou a se sentir mal depois de tomar um remédio prescrito por um médico da Santa Casa.
A assistente social acredita que o medicamento pode ter tido influência decisiva na morte de sua sobrinha. Na opinião dela, a autópsia seria indispensável para que não restassem dúvidas sobre o que ocorreu de fato com Isabela.
Em conversa com os pais, da qual Marleide também participou, diretor clínico do hospital, Carlos Eduardo Negrão, teria informado que, para poder fazer a autópsia seria preciso de três a quatro dias de espera. Enquanto isso, o corpo teria que ficar em uma câmara fria no Instituto Médico Legal (IML). Os pais acabaram concordando em enterrar a filha sem o exame. Isabela foi sepultada anteontem à tarde.
Apesar da decisão dos pais de Isabela, Marleide cogitou a possibilidade de registrar o caso na polícia, mas foi convencida a não fazer isso. “Se houve erro na medicação é preciso que isso seja esclarecido.” Na opinião da assistente social, seria uma maneira de evitar que a falha (se é que houve) volte a se repetir e prejudique outras famílias.
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Só casos supeitos e violentos
Segundo informações da Santa Casa, só são encaminhados para autópsia as vítimas de morte violenta ou suspeita. Entre os casos de morte violenta estão os assassinatos, por exemplo. No caso de morte suspeita, antes de assinar o atestado de óbito, o médico remete o corpo ao Instituto Médico Legal (IML) para saber do que morreu a pessoa.
Nestes casos, os corpos normalmente são enviados para Jaú ou Bauru. O hospital confirmou a informação de que os médicos realmente não chegaram a um diagnóstico preciso da doença de Isabela Aparecida dos Santos, 23 anos. A paciente chegou a ser encaminhada a outros hospitais da região, mas nenhum descobriu o que ela tinha.
Uma consulta feita pelo JC revelou que em hospitais como a Santa Casa de Jaú e o Hospital das Clínicas de Botucatu o procedimento é o mesmo. Ou seja, eles só encaminham corpos para autópsia quando a morte foi em decorrência de atos violentos ou quando os motivos são desconhecidos.
Um funcionário do IML de Jaú, que pediu para não ser identificado, também disse que os médicos legistas só examinam casos suspeitos que geram boletim de ocorrência. “O médico legista só é acionado quando existe requisição do delegado de polícia ou da Vara Cível (Justiça)”, resume.