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Software da Apae de Bauru vai beneficiar deficiente de todo País

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru é pioneira no desenvolvimento do software de computador para ajudar na formação educacional e desenvolvimento de portadores de deficiência de todo o Brasil. Em fase final do desenvolvimento do sistema, a instituição pretende lançar o produto em outubro -, vai distribuir gratuitamente 400 CDs para Apaes de todo o País e para Secretaria Municipal de Educação. Depois, o software será disponibilizado na Internet gratuitamente, para que os interessados possam adquiri-lo.

Ontem, o secretário executivo do Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (CFDD), pertencente ao Ministério da Justiça, Nelson Campos, esteve em Bauru para conhecer o software e a instituição. O projeto enviado pela Apae ao Ministério da Justiça para elaboração do software, em 2005, ficou em 5.º lugar entre quase 400 inscritos.

“O projeto da Apae foi o primeiro da área social aprovado pelo conselho. Foi selecionado por uma comissão por sua importância à população”, afirma o secretário. O conselho liberou uma verba de R$ 275 mil para financiar o software. Outros R$ 25 mil de contrapartida foram investidos pela Apae. Além de portadores de necessidades especiais, o sistema educacional poderá ser utilizado por crianças, jovens, adultos e idosos porque possui diversos níveis de dificuldade.

“O sistema permite o desenvolvimento motor, sócio-afetivo, cognitivo e lingüístico das pessoas”, diz a coordenadora do projeto, Leda Rodrigues. Possui bancos de imagens, sons e palavras que podem ser, inclusive, alterados. “Pode-se baixar novas imagens pela Internet ou até mesmo gravar sons pelo software. É bastante interativo”, explica Rodrigues. A Apae de Bauru mantém escola com cerca de 480 alunos e presta serviços de reabilitação, equoterapia, teste do pezinho, entre outros serviços.

A idéia de fazer um sistema educacional surgiu nas próprias aulas de informática da Apae. “Primeiro, pensamos na dificuldade que o portador de deficiência tinha para utilizar softwares em aulas de informática. Depois, percebemos que poderia ser utilizado por qualquer pessoas pois não é restritivo”, explica a gestora de pesquisa e desenvolvimento, Grace Ferreira.

A idéia é que o programa seja utilizado também em escolas de ensino fundamental para auxiliar na formação educacional. Entre as atividades disponibilizadas pelo software, estão jogos de memória, de sobreposição, filmes, quebra-cabeça, além de informações sobre direito e cidadania. “O sistema de computador é uma maneira de democratizar a informação. É a comprovação do princípio de dignidade porque todos podem ter acesso aos seus direitos”, diz o advogado responsável pela consultoria jurídica do projeto, Eduardo Jannone da Silva.

O sistema educacional já foi testado por alunos da Apae de Bauru, Pirassununga (SP) e Brasília (DF). O filho da artesã Andresa Michelle Gomes de Oliveira, Enry Nathan, 5 anos, possui paralisia cerebral e utiliza há cerca de um ano o sistema educacional nas aulas de informática. A mãe já percebe os resultados no desenvolvimento do filho. “Antes, ele não reconhecia cores e formas. Agora, já consegue jogar videogame e se desenvolveu inclusive socialmente. Quando chega a hora da aula, fica animado”, conta.

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