Internacional

‘Cérebro’ de George W. Bush, Karl Rove perde poder na Casa Branca

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - Um dos mais poderosos assessores do presidente George W. Bush, Karl Rove, perdeu ontem algumas de suas principais atribuições em mais um dia de reforma interna na Casa Branca, no qual o porta-voz Scott McClellan também deixou o cargo. A sacudida nos cargos era aguardada após a efetivação do novo chefe-de-gabinete, Joshua Bolten - substituto de Andrew Card, que se demitiu em 14 de abril -, e visa aumentar a popularidade do presidente, afundada por causa da Guerra do Iraque.

Acusado de envolvimento no escândalo Plamegate - o vazamento do nome da agente da CIA Valerie Plame como suposta retaliação pelo fato de o marido dela ter criticado o governo em relação aos motivos da invasão do Iraque -, Rove deixará de ser o principal conselheiro para políticas do governo Bush e se dedicará à organização do Partido Republicano para enfrentar as eleições parlamentares deste ano.

Quem vai assumir seu lugar em relação às responsabilidades de gerenciamento de políticas da Casa Branca será Joel Kaplan, homem de Bolten. Oficialmente, a Casa Branca defendeu a mudança como uma forma de priorizar as atribuições de Rove, já que a impopularidade presidencial pode render muitas baixas aos republicanos nas urnas.

Porém, alguns analistas viram a troca como uma nítida queda de estatura do assessor, que retornará à função de operador e estrategista político que manteve durante o primeiro mandato de Bush - razão pela qual ele era chamado de “o cérebro’’ do presidente.

A insatisfação política com Rove estaria ligada à resposta inadequada da Casa Branca aos estragos causados pelo furacão Katrina e ao fracasso da reforma da Previdência Social. Além disso, houve muito desgaste com a investigação do vazamento da identidade da agente Plame.

Bush vive há meses uma contínua queda de popularidade, ligada principalmente à insatisfação sobre a prolongada Guerra no Iraque e sobre algumas políticas de combate ao terrorismo, como as escutas telefônicas feitas em território americano sem autorização judicial.

Para a oposição, a redução do status de Rove é visto como sinal de derrota na estratégia política da Casa Branca. “Antes tarde do que nunca”, disse o senador Charles Schumer, em um comunicado.

Em paralelo à troca de cadeiras da Casa Branca, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, segue sob ataque de setores militares que criticam seu manejo da guerra e da ocupação do Iraque. Porém o presidente Bush já deu seu voto público de confiança ao secretário, que também negou a hipótese de sair do cargo.

Não está claro se haverá mais mudanças, mas Bolten alertou no começo da semana que busca “refrescar e reenergizar” a Casa Branca com mudanças.

Porta-voz fora

A saída de McClellan já vinha sendo antecipada e foi anunciada por Bush ontem. “A Casa Branca está em um período de transição. Mudanças podem ajudar, e esta é uma boa hora e uma boa oportunidade para ajudar a trazer mudanças”, disse McClellan, após quase três anos no posto.

O porta-voz estava sob forte pressão após severas críticas da imprensa norte-americana sobre sua atuação. Responsável pelos comunicados diários da Presidência, é a fonte de informação oficial sobre assuntos da Casa Branca e tem a imagem fortemente associada ao presidente - recentemente teve brigas e discussões com os repórteres que cobrem o setor.

Comentários

Comentários