Apesar do depoimento prestado ontem pelo fiscal de obras da prefeitura, o prefeito afastado Mauro Martinão afirma que não sabia do pagamento antecipado da madeira. Segundo ele, esse controle era de responsabilidade de Antônio Álvares Rodrigues – o fiscal de obras que agora o acusa.
“Quando fiquei sabendo do que havia acontecido instaurei imediatamente um processo administrativo para apurar o caso e afastei o tesoureiro e o fiscal de obras. Eu não posso ser acusado nem mesmo de omissão”, declara o prefeito. Rodrigues e o tesoureiro Sérgio Fortunato foram afastados por 30 dias ou enquanto durar o processo administrativo, já que ele pode ser prorrogado.
Na opinião do prefeito, a aprovação da Comissão Processante (CP) e seu afastamento deixou de ser um julgamento político e passou a ser pessoal. Segundo ele, um dos vereadores que votaram a favor da CP responde a uma sindicância por causa de horas extras recebidas indevidamente. Maria Helena Storniollo (PL) é servidora municipal. O outro vereador, Marcelo Marcelino Cardoso (PTB), é cunhado do tesoureiro afastado e isso, segundo Martinão, teria pesado na votação de anteontem.
Apenas dois vereadores foram contra a CP. José da Graça, mais conhecido como Zé Gordinho, e Carlos Alessandro de Matos, ambos do PSDB. Segundo eles, ainda não existem provas que possam justificar o afastamento do prefeito.
Se ao invés da CP, a proposta fosse para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que não implica no afastamento automático do prefeito, ambos teriam votado a favor da investigação, segundo eles.
Para o advogado Giuliano Travain, a ausência de provas deve ser explorada no recurso que ele está preparando para tentar reverter a decisão da Câmara. Ele deve recorrer à Justiça nos próximos dias.
Enquanto Martinão estiver afastado, seu cargo será ocupado pela vice Sílvia Mendes Soares (PSDB). Ela tomou posse ontem de manhã e decretou ponto facultativo. A prefeitura só deve voltar às suas atividades normais na segunda-feira. A prefeita não foi encontrada ontem para comentar sobre sua nova função. Segundo funcionários, ela estava em Jaú para um compromisso agendado antes de responder como prefeita.
A CP instaurada pela Câmara de Piratininga terá como membros os vereadores José da Graça, Maria Helena Storniollo e Ana Amado (PTB). Eles têm 90 dias para concluir os trabalhos.