Folheando uma revista em um consultório médico, deparei-me com esta frase: “O estúpido não perdoa e não esquece; o ingênuo perdoa e esquece, e o sábio perdoa mas não esquece”. Deve-se entender que o certo, seria ficar com a terceira opção, ou seja: “O sábio perdoa, mas não esquece”. Agora, procure colocar nossos políticos dentro desse contexto. Tenho a impressão de que nem um sábio perdoaria. Eu também não os perdoo. Como posso perdoar “esses políticos safados” que roubam descaradamente o dinheiro do povo, depositando-o posteriormente no Exterior? Como posso perdoar aquela deputada, que com gestos extremamente ridículos, agitou desajeitadamente seu corpanzil, ensaiando alguns passos de dança, quando soube da absolvição de um seu colega de partido? Transformou o plenário da Câmara em um verdadeiro cabaré, lugar também freqüentado por alcoólatras e prostitutas. Sabemos que “a referida dançarina” (pasmem!)... pertence à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. Dá para perdoar?... Depois de tudo isso, ficamos sabendo que ela não será punida. Segundo seus pares, será admoestada por escrito. Continuará a exercer seu cargo na Comissão de Ética.
É um absurdo. É uma vergonha, como diria Boris Casoy. Como posso perdoar um presidente que tem à sua volta sanguessugas incompetentes, que só são competentes para “armar arapucas”, com o intuito de tirar (roubar) dinheiro do povo? Como posso perdoá-lo, se convive com esses “marginais” durante todo o tempo, e depois vem a público dizer: “Eu não sabia de nada”!... Como posso perdoá-lo, quando tenta “segurar no cargo” seu ministro da Fazenda, mesmo sabendo que este se envolveu anteriormente em atos de corrupção quando então prefeito de Ribeirão Preto? Ora bolas!!!... Mesmo tendo feito uma boa administração, se é corrupto, “fora com ele”. É o mais lógico, é o mais racional, é o mais “honesto”! Voltando aos outros políticos, como posso perdoá-los, se andam com malas de dinheiro para lá e para cá, como se fosse a coisa mais natural do mundo? Para que servem os bancos? Não existe ordem de pagamento? Ou será que fazem isso para não declararem imposto de renda? Afinal, se não fossem pegos, ninguém iria saber da “andança” desse dinheiro.
Pensando em tudo isso, fico pensando (infelizmente) que somos “ingênuos” e perdoamos tudo. Com todo esse “mar de lama” vemos que nosso presidente ainda é o mais cotado para a reeleição. Isso não é ingenuidade? Diria alguém: “Mas ele está segurando a inflação”! Digo eu, fazendo a pergunta: será que é interessante termos uma inflação baixa, se nossos salários estão defasados? No tempo da inflação alta, nossos salários acompanhavam-na. Outra pergunta: se a inflação é baixa, por que os juros bancários são tão altos? Por que dar tanto privilégio para os banqueiros? Volto a afirmar: não devemos ser mais os ingênuos. Devemos sim ser “estúpidos”. Lembro-me de uma história, que contei nesta Tribuna em 09/04/06, referindo-me a um país onde o povo descontente tomou a decisão de anular os votos. Esperavam que surgissem melhores candidatos. É uma solução? Não sei! A verdade é: como está não pode continuar! Bem dizia um presidente norte-americano: “O Brasil não é um país sério”!... Na verdade, além de não ser sério, é também “uma piada”...
Luís Carlos Pasquarelo - RG 3.053.575