Cultura

Sorriso de campeão

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

A foto registra um momento em que conquistar o espaço ainda era um sonho para o bauruense Marcos César Pontes, mas o sorriso expressivo – que tempos depois conquistaria o mundo e também os astros - já era de um vencedor. A expressão de Pontes foi o que chamou a atenção da artista plástica bauruense Clara Beatriz Cardia, que, com carvão e tinta óleo, perpetuou também na tela o retrato do nosso astronauta.

Ainda inacabada, a obra não poderá ser entregue a Pontes amanhã, quando o tenente coronel chega a Bauru para participar de uma série de atividades em sua homenagem. “Eu não o esperava tão já, mas não tem problema. Quando ele voltar, faço questão de entregar pessoalmente”, diz a artista, que já até vislumbra a ocasião. “Meu neto se vestirá de astronauta e entregará o quadro junto comigo”.

Para ser fiel à passagem do tempo, os cabelos castanhos da foto ganharam fios brancos e o rosto, magro, foi levemente arredondado. “Poderia ter escolhido retratos mais recentes, mas para que se tenha um bom quadro, é preciso uma boa foto e essa foi a melhor que vi, por causa da claridade e da luz”, explica.

O processo de criação começou há cerca de 15 dias, depois que o irmão do astronauta, Luiz Carlos Pontes, cedeu algumas fotografias à artista. Escolhida a foto, Cardia debruçou-se sobre a tela - de 60 por 80 centímetros - e começou a delinear os primeiros traços em carvão. “Gosto dessa técnica porque, com ela, é possível captar com mais precisão todos os sinais do rosto”.

Com o esboço pronto, a artista foi apagando os traços de carvão e preenchendo com tinta óleo as cores da fotografia, um processo que demanda aproximadamente 20 dias. “É um trabalho lento, que exige precisão, mas vou terminá-lo em breve. Quando ele voltar pela segunda vez, o que está previsto para o fim de maio, estará perfeito!”, espera.

Arte imita vida

Retratar Marcos Pontes foi a forma que a artista encontrou de homenagear uma pessoa que, para ela, é um exemplo de perseverança. “O Brasil está carente de modelos. Por isso, é preciso valorizar pessoas como ele, que sonhou, lutou e conquistou o que queria”, exalta-se.

A vida do astronauta também foi uma das motivações que impulsionaram a artista. “Eu me identifico um pouco com ele. Sou autodidata e comecei a pintar em 99. Para obter reconhecimento nessa área, ainda mais da forma como comecei, foi muito difícil. Até hoje sinto como se estivesse apenas começando”.

Decidida a pintar, Cardia passou a estudar por conta própria pintores consagrados como Dali e Portinari e, sozinha, iniciou seus primeiros riscos, inaugurando um novo estilo. “Errando e aprendendo, criei uma técnica mista, trabalhando com efeitos de luz, espelhos, vidros e movimentos”, diz.

Porém, em sua trajetória, os acertos foram maiores que os erros. Prova disso foram os diversos convites que a artista recebeu para participar de exposições em Bauru, cidades da região e também na Capital, conquistando inclusive prêmios. Atualmente, fora o retrato de Pontes, Cardia dedica-se a outra obra. “Fiz um retrato em carvão de um velho pajé ianomâmi da aldeia de Nazaré, no Amazonas. Além dele, vou retratar mais dois índios”.

Comentários

Comentários