Bauru vive uma Idade Média, a pior possível. Os políticos não se acertam. Os buracos continuam. A cidade está feia. O mato tomou conta. Cada um defende a sua zona, isto é, norte, sul, leste ou oeste. Cada um defende o seu interesse e basta observar a lei do zoneamento. É sempre o particular, o privado acima do coletivo. É sempre o venha a nós e ao vosso reino, nada. Os senhores feudais aboletam-se nas suas estufas com suas pantufas e os servos que se danem!
Está faltando nesta cidade da Idade Média alegria, servir sem alegria não ajuda a ninguém. Bauru não pode ser continuamente a cidade do prefeito que foi preso. Não pode ser a cidade do prefeito que não terminou as obras do viaduto. Não pode ser a cidade de poucos em detrimentos de muitos. Não pode ser a cidade do “eterno” aeroporto. Não pode ser a cidade da “eterna” ponte do Mary Dota. Não pode ser a cidade do eterno bate-boca dos donos de animais que podem ou não usar coleiras. De cada 5 cartas 3 são atacando ou defendendo os animais... pára com isso!
A coisa aqui é bem medieval, mesmo!
Nenhum movimento grande e abrangente se deixa conduzir a seus objetivos sem riscos. Uma vida não vale a pena ser vivida se lhe faltar ousadia e risco. E aqui com toda a minha timidez, eu entro: vamos saudar sim o bauruense Marcos Pontes. O que o JC está fazendo é fundamental para a cidade: mostrar que o sonho é possível. Você é sonhador, dirão alguns, sou, não nego, e nunca neguei, mas não sou idiota e aproveitador de situações. Vamos homenagear o sonhador Marcos Pontes e deixar de lado esse papo hipócrita que a viagem custou tanto e o Brasil gastou tanto... E os que roubaram em Brasília? E os 40? Ainda não adquiri o hábito de manter meus pensamentos sob controle!
Bauru precisa do sonho do astronauta, como precisa do sonho do Edson Celulari, deixo claro sempre, participei com 1% ou 10%, não mais que isso, mas ele sonhou e chegou lá! Bauruenses como Ozires Silva, Gilberto Barros, Amauri Soares, Arietha Corrêa, doutor Tâmbara, e outros, foram atrás de sonhos, que não são meros sonhos e estão mostrando para o país: seriedade, competência, honestidade e ética; estão mostrando para Bauru que é possível uma cidade andar de cabeça erguida e dizer: eu sou bauruense do Marcos, do Celulari, do Ozires, do José da Silva, daquela criança que neste momento está sonhando em ir para o espaço daqui há 20 anos; daquele jovem que sonha entrar na TV Globo; daquela jovem que sonha em ser modelo ou jornalista... daquele jovem que observou o Marcos lá em cima bater no ombro e na certa dizer: “Sou brasileiro e bauruense” e mostrar o sinal positivo.
Bauruense, olhe para o céu sempre, já chegamos lá. Eu sempre busco a luz. Meu ideal seria um dia poder brincar sem medo com cobras e escorpiões. Até agora isto é somente um sonho e fico envergonhado, pois ainda não posso fazer nada.
O autor, Paulo Neves, é professor e diretor de Teatro