Tribuna do Leitor

Greve inteligente e greve irracional


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No primeiro mundo, alguns sindicatos europeus quando promovem as paralisações, se preocupam o máximo com o bem-estar da população. Mesmo porque, sabiamente, eles há muito tempo perceberam ,que movimento grevista que pune os mais humildes e não detém o apoio da população, tende ao fracasso acompanhado da derrota política e social.

Não podemos generalizar, mas aqui no Brasil e Bauru não é diferente, alguns sindicatos insistem em andar na contramão da história e da realidade. É bom que se frise, que a greve de qualquer categoria, tem o respaldo constitucional, mas a partir do momento que deixe as minguas justamente aqueles que mais precisam do Estado, deve ser urgentemente rediscutida.

Um exemplo de greve inteligente se materializa quando os manifestantes grevistas liberam com responsabilidade as catracas de ônibus e metrôs para que a população ande de graça até o término do movimento. E com certeza ganham o aval dos usuários nas suas justas ou não justas reinvindicações.

Na nossa cidade no momento ocorre uma paralisação em âmbito municipal. A paralisação é legítima e cumpre a lei, a garantir 30% de funcionamento nos serviços essenciais. No entanto, o Sindicato dos Servidores Municipais está cometendo um erro estratégico ao centrar o seu poder de mobilização na parte administrativa da saúde e da educação. E se tentarem e conseguirem parar o lixo e a sua coleta, cometerá uma iniciativa política letal.

Até o “Ditinho prega fogo”, o maior pescador da Bela Vista, sabe que é no quesito saúde e educação as maiores penúrias do povo mais humilde. Com 100% de funcionamento esses setores já deixam a desejar e são os campeões de crítica por parte da sociedade. Agora imaginem com funcionamento só de 30%? Outra análise: a paralisação da coleta de lixo mesmo que parcialmente, sempre revoltou a população e passa a imagem negativa de um movimento grevista absolutamente legítimo. E com o avanço da leishmaniose em Bauru, pode se tornar um grave problema de saúde pública.

Como munícipe e defensor das causas sociais, torço que prefeitura e sindicato consigam um acordo amigável. No entanto, os sindicalistas precisam entender que deixar crianças sem aulas e pobres mofando na porta do Pronto-Socorro, trata-se de autêntica cegueira política e miopia social‘. Paralisação que pune o povo não é grave, é barbárie. P.S: Tramita na Câmara dos Deputados dois projetos no mínimo polêmicos; um acaba com o décimo terceiro, o outro extingue a obrigatoriedade do exame da OAB-Ordem dos Advogados do Brasil. Pela delicadeza dos projetos, estão sendo muito pouco discutidos pela sociedade.

Pedro Valentim

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