Bairros

Desenvolvimento coloca fauna e flora sob risco

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 3 min

No início do século passado, a região de Bauru era coberta por vegetação natural de floresta estacional (mata atlântica), cerrado e cerradão. A urbanização, no entanto, mudou esse cenário e provocou a extinção e diminuição de espécies de fauna e flora locais.

Segundo o engenheiro agrônomo e pesquisador científico José Carlos Polliger Nogueira, o cerrado e os cerradões ocupavam e ainda ocupam regiões mais ao sul e a leste de Bauru. Alguns remanescentes podem ser encontrados no Jardim Botânico Municipal, câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Parque Ecológico Municipal e Horto Aimorés.

“O cerrado e os cerradões aparecem onde antigamente era um deserto de areia, nos períodos jurássico e triássico. O solo onde está este tipo de vegetação é muito arenoso e rico em alumínio”, explica.

Nogueira comenta que foi justamente o tipo de solo que garantiu a permanência de muitas plantas do cerrado, pois o terreno arenoso não é apropriado para o plantio de cana-de-açúcar. “Os fazendeiros utilizavam os solos onde estavam vegetação de mata atlântica, por serem ricos em cimento calcário e mais fáceis de serem trabalhados para o plantio. Então eles pulavam as regiões de cerrado e cerradão”, salienta.

Apesar de ter tido esta “sorte”, Nogueira ressalta que o cerrado não é valorizado nem preservado como os remanescentes de mata atlântica (não existe lei que garanta a sua proteção e preservação) porque não tem a exuberância e as madeiras ricas como no caso da mata atlântica. “As pessoas olham para o cerrado e acham que é um mato qualquer. No entanto, o cerrado é muito rico em fauna e frutos. Além de estar neste bioma a árvore símbolo de Bauru, que é o faveiro”, afirma.

Composta por árvores como angico, barba-timão, candeia, embaúba, faveiro, samambaiuçu e talauma (veja quadro), a vegetação do cerrado chega a atingir 15 metros de altura. Bem menos dos que os 40 metros que pode chegar a vegetação de mata atlântica, onde são encontradas árvores como araribá, caviúna, cedro, jequitibá rosa, paineira e peroba rosa.

A mata atlântica de Bauru estava concentrada principalmente nas regiões oeste (divisas com Piratininga) e noroeste (região do córrego da água parada e antiga fazenda São Luiz), onde ainda existem “ilhas” deste tipo de vegetação. “A formação florestal de mata atlântica produzia a maioria das madeiras utilizadas pelos colonizadores na construção civil”, frisa.

Nogueira explica que a peroba rosa, por exemplo, era utilizada para pisos, forro, portas, carrocerias de caminhão, por ser abundante, bonita e fácil de trabalhar. Outra árvore bastante utilizada era a cabreúva, que servia para fazer mobílias e carroças.

Quanto à fauna, tanto o cerrado quanto a mata atlântica eram repletas de animais como anta, onça, arara vermelha, ariranha, lontra e macacos. “É difícil delimitar quais animais estavam em que tipo de vegetação, porque eles transitavam de uma vegetação para a outra constantemente”, diz.

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Cerrado/ cerradão

A fisionomia do cerrado lembra certas savanas africanas com árvores baixas, de troncos tortos e galhos retorcidos, casca grossa, folhas grandes e firmes; muitos arbustos e vegetação rasteira, de acordo com informações do Instituto Ambiental Vidágua. No Estado de São Paulo, o Cerrado ocorre principalmente na região centro-norte, interrompida por outras formações vegetais, como nas proximidades de Campinas, Ribeirão Preto, Franca, Altinópolis e Bauru. Ao todo, 267 municípios possuem remanescentes do bioma no Estado. No entanto, resta apenas 1% de vegetação nativa no Estado de São Paulo, uma vez que este bioma não é amparado por legislação específica, que proíba seu desmatamento.

O cerradão tem a mesma fauna e flora do cerrado, mas sua vegetação e formação florestal são mais densas.

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