Tribuna do Leitor

Ten. Cel. Marcos Pontes


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A pobreza cultural associada ao desencanto com os descalabros perpetrados por nossos governantes, no que tange às finalidades atendidas, impunemente, com o dinheiro público, avaliadas pelos valores intrínsecos de cada brasileiros, sem falar de suas angustias e carências, leva às mais diversas opiniões externadas por cada um a todo e qualquer assunto que venha à tona, que seja atual.

No Brasil, especialmente em Bauru, nada mais atual, empolgante e contraditório que a inscrição definitiva do nome de Bauru vinculada ao se ilustre filho, o tenente-coronel Marcos Pontes, o não só primeiro brasileiro, senão o primeiro sul-americano e um dos raros astronautas não russos ou estadunidenses a atingir o objetivo de conquistar o espaço, agora COSMONAUTA, pois os russos fazem essa distinção – antes de conquistar o espaço é astronauta; CONSMONAUTA só após o haver conquistado. Fiz questão de dizer ESTADUNIDENSES pois nada me incomoda mais que ouvir em jornais, conferências, workshops, etc, pessoas referirem-se aos EUA como AMÉRICA, como se Canadá, México, América Central e América do Sul se reduzissem à insignificância. É comum médicos dizerem LÁSIX (deveria ser LEisix – a pronúncia inglesa), e tantos outros “Americanismos” que me faz refletir o quanto os brasileiros e outros povos sentem seu País como um “curral” dos EUA. Não lhes tiramos os méritos, mas daí a nos desvalorizarmos sempre mais não é normal nem saudável.

Voltemos a Marcos Pontes. Yuri Gagarin escreveu seu nome na história como o primeiro astronauta a conquistar o espaço. Armstrong também ficou para a história como o primeiro a pisar o solo lunar. Nada mais justo e motivo para brasileiros, especialmente bauruenses, com a vitória de um seu filho, sem nenhum tipo de título ou de poder especial, além de sua determinação e obstinação em perseguir a meta a que se propunha. Isso dá maior mérito e é motivo de maior júbilo ao tenente-coronel e aos seus familiares.

Contudo, ouvimos opiniões as mais pueris e desprovidas de uma seriedade política que as tornem factíveis. Tais como – daria para construir quantos hospitais em Bauru, quantas casas populares, quanto medicamento, estações de tratamento de esgoto, recuperar o asfalto da cidade, trocar a rede de água, responsável por quase metade dos danos sofridos pela pavimentação, terminar o Viaduto, a ponte do Mary Dota, São frutos das agruras sem fim, enfrentadas pela quase totalidades dos brasileiros que vêm a cada dia mais abissal a desigualdade sócio-econômico-cultural, além de ver a cada dia menor o número de brasileiros com muito e extremamente maior o dos brasileiros com pouco ou quase nada.

Portanto,tenente-coronel Marcos Pontes, sua vitória reveste-se de maior mérito e glória que as de Gagarin e de Armstrong pois suas dificuldades, o apoio governamental brasileiro, foram infinitamente menores que os merecidos e necessários. A única nota ridícula em todo a sua conquista é o ufanismo do presidente Lula ao alardear aos quatro ventos que o Brasil contribuiu com 10 milhões de dólares para a missão. Suas limitações frente ao que deveria estar implícito no preparo obrigatório a quem ocupe tal cargo não o deixaram ver que todos nós temos critérios de julgamento e que seria impossível não perceber que os 10 milhões de dólares, sequer cobriram os custos da roupa de astronauta, orçada em 12,5 milhões de dólares. Teria sido melhor para ele, nem falar sobre esse valor, num momento em que, perplexos, o povo brasileiro e o mundo assistem aos bilhões de reais derramados no esgoto da maior página de corrupção já noticiada pela imprensa no Brasil. Parabéns, COSMONAUTA BAURUENSE. Regozije-se, assim seus familiares e amigos que nunca deixaram de ser parte do combustível necessário para manter acesa a chama de seu ideal. Comemore o merecido triunfo. Como quase tudo na história da humanidade, daqui a três ou quatro décadas, os brasileiros que sequer o conhecerão falarão de seu feito com muito mais admiração e orgulho da conquista que hoje provoca tão conflitivos e desencontrados questionamentos. Assim caminha a humanidade. Orgulhoso e feliz por sua felicidade, apesar de ser bauruense por adoção (sou andradinense).

Áureo Antonio Érnica - RG.5.364.772-5

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