O Ballet Nacional de Cuba faz, a partir amanhã, quatro apresentações no Via Funchal, na Capital, antes de seguir para Recife, Aracaju, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba. Até ontem à tarde, ainda havia ingressos disponíveis para todas as noites de espetáculo. Há 19 anos sem fazer turnê no país, a companhia traz uma espécie de pot-pourri de seus clássicos no espetáculo “A Magia da Dança”, que reúne cenas de “Gisele”, “A Bela Adormecida”, “O Quebra-Nozes”, “Copélia”, “Dom Quixote”, “O Lago dos Cisnes” e “Sinfonia de Gottschalk”. As coreografias são todas assinadas por Alicia Alonso, 86 anos, diretora artística da companhia, ex-bailarina que brilhou em palcos internacionais, principalmente em Cuba e Moscou, e que fundou o grupo na década de 40 - antes com o nome Ballet Alicia Alonso.
Com suporte do governo cubano desde 1959, o Ballet Nacional de Cuba serve hoje como pilar para a chamada escola cubana de balé, que, como defende a diretora em entrevista realizada por e-mail, “não trai a estrutura clássica, ainda que acentue o estilo”. São coreografias já encenadas por grandes companhias de projeção internacional, como os grupos Ópera de Paris, Ópera de Viena, Teatro San Carlo de Nápoles e Teatro Colón de Buenos Aires, e que se mantêm fiéis ao enredo de seus originais clássicos e de suas respectivas partituras.
“Partimos da técnica universal e a aplicamos de acordo com o físico, o temperamento, a musicalidade e a cultura dos cubanos. Isso se vê não só nas coreografias modernas do mesmo cenário cubano como também em nossas versões de clássicos”, explica a diretora, dando os principais traços da escola fundada por ela. Entre as cenas escolhidas para essa apresentação, está o famoso quadro do balé romântico “Giselle”, no qual o guarda Hilário visita o túmulo da personagem-título, no momento em que almas penadas de donzelas deixam seus túmulos para uma misteriosa dança.
Também no palco, dois celebrados “pas-de-deux”: um integra a “Valsa das Flores”, do balé “O Quebra-Nozes”; outro pertence à coreografia de “Copélia” e traz os protagonistas Swanilda e Franz festejando suas bodas. O brilhantismo técnico, resultado da fusão de metodologias das escolas russa, italiana, francesa e inglesa, é o que dá vigor às coreografias, cujas cenas apresentadas no espetáculo têm entre 30 e 40 minutos. O balé acaba com quase três horas de duração, dividido em duas partes, com um intervalo de 15 minutos entre elas.
Ao confirmar um acentuado intercâmbio entre as diversas escolas de seu país, assim como a influência da técnica clássica nos trabalhos de jovens grupos de dança contemporânea, Alicia diz: “Nossos bailarinos seguem rigorosamente a técnica acadêmica. Um bailarino bem treinado pode assumir o trabalho que lhe proponha qualquer coreógrafo. A técnica clássica é uma base, não uma limitação”.
• Serviço
Ballet Nacional de Cuba, de amanhã a sábado, às 21h30, no Via Funchal (rua Funchal, 65, Vila Olímpia). Ingressos de R$ 60,00 a R$ 200,00, com meia-entrada. Informações: (11) 3089-6999.