Resgate e novidade, passado e futuro. O Kid Vinil Xperience é um passeio pela história de seu “comandante”, que tem atuação como músico, compositor, cantor, DJ, apresentador e executivo de gravadora no cenário brasileiro, e que se lança ao futuro com raízes no punk e no rockabilly. O novo som de Kid Vinil pode ser conferido hoje à noite, na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc), a partir das 21h.
O Xperience conta com Kid (voz), Carlos Nishimiya (guitarra), Sonny Rocker (baixo) e McCoy (bateria). Os dois últimos são fundadores do Crazy Legs, e juntamente com Nishimiya (que participou da última formação do Magazine com Kid Vinil, e também foi integrante do grupo Maria Angélica Não Mora Mais Aqui), formam o trio Los Tornados, que toca psycho-surf instrumental.
De acordo com Kid Vinil, os músicos entram em estúdio nas próximas semanas para finalizar as gravações de seu primeiro CD, que deve ser lançado no segundo semestre. “A banda tem quase dois anos e estamos compondo juntos. Geralmente eu faço a letra e a música é da banda. Temos seis faixas prontas e devemos incluir 12 no CD. Não tem pressão para lançamento porque é um projeto de som mais alternativo. Se não lançarmos pela Trama (gravadora a qual Kid é ligado), pode ser independente, não tem pressão”, comenta Kid, em entrevista por telefone ao JC Cultura.
O repertório do Xperience valoriza as novas composições mas não deixa de lado o passado do artista. “Esse show resgata alguma coisa do Magazine, claro, porque a galera pede. Tem esse resgate de algo dos anos 80 e do repertório mais novo. Tem covers de coisas que gostamos, como Rolling Stones, Clash, Ramones, e também de brasileiros, como Ultraje a Rigor e Camisa de Venus”, elenca o músico.
Em 2002, o disco “Na Honestidade” foi um dos primeiros no Brasil a ter faixas disponíveis ao público em formato digital, pela Internet, antes de seu lançamento “real”. Na opinião de Kid, a existência de um CD ainda é representativa, mesmo com a proliferação de MP3 players e programas de compartilhamento de músicas.
“Claro que vamos disponibilizar as músicas em nosso site, mas não o disco todo. O CD ainda é a forma de comercializar o trabalho, tem que haver um material em si, e não só o virtual, a coisa na Internet. Todo mundo baixa música, tem seus arquivos no computador, mas não vejo o fim do CD”, diz, e compara o mercado nacional com o Exterior. “Lá fora, as pessoas disponibilizam suas coisas em blogs e sites, todos ouvem mas procuram o disco para comprar. O poder aquisitivo é maior, mas a ‘coisa física’ ainda resiste”, ressalta.
• Serviço
Sesc apresenta Kid Vinil Xperience, hoje às 21h na área de convivência. Ingressos a R$8,00 e R$4,00 (matriculados, estudantes com comprovante e maiores de 60 anos). O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Mais informações: (14)3235-1751.
História multimídia
Radialista, cantor, compositor, apresentador, DJ, executivo. São várias as facetas do multimídia Kid Vinil que asseguram seu lugar na cena rock brasileira - como músico, produtor e também divulgador. Influenciado especialmente pelo punk inglês, Antônio Carlos começou tocando covers por volta de 1978, o que levou à formação da Verminose - banda que daria origem ao futuro Magazine e que já tentava quebrar padrões da MPB e do rock progressivo que dominavam a época.
O nome artístico surgiu na iniciativa de apresentar um novo programa de rádio sobre punk e new wave e foi bolado junto com Pena Smith, então produtor da Continental, baseado em Kid Jensen, DJ da rádio BBC, e Cosmo Vinyl, DJ e empresário do The Clash. O programa na rádio Excelsior foi sucesso por dois anos e abriu espaço para novas bandas, como o Ira!.
Em 1983, Kid abandonou as rádios para investir no Magazine, depois que o Verminose foi acusado de traidor do movimento punk e teve até integrantes ameaçados de morte. Focados na new wave, Kid (vocais), Lu Stopa (baixo), Trinkão (bateria) e Ted Gaz (guitarra) começam a fazer shows e gravam o primeiro compacto, com “Kid Vinil” e “Sou Boy”, hit imediato no País todo. Seguiram sucessos como “Adivinhão”, “Tic Tic Nervoso”, “Comeu” e “Glub Glub no Clube”. Pressão e stress levam à saída de Kid do Magazine em 1986 e ele inicia o projeto Kid Vinil e os Heróis do Brasil. Depois de formações e grupos diferentes, ele retoma o Magazine em 98 com Stopa e Trinkão, juntamente com Carlos Nishimiya, que fazia parte do grupo em momento anterior. Entre 2000 e 2001, a banda grava seu primeiro CD em quase 15 anos, “Na Honestidade”, lançado em 2002. Em 2004, o grupo encerrou suas atividades e abriu as portas, no ano seguinte, para o Kid Vinil Xperience.
Nos últimos anos, Kid Vinil também retomou a função de apresentador de TV (“Boca Livre”, “Som Pop”) com o “Labo B”, na MTV, e na rádio, com sucesso de público e repercussão. Outro “emprego” do músico é como DJ em diversas casas da Capital paulista, onde tem performances elogiadas especialmente com rock e eletrônica do cenário mais alternativo.