Hoje, no dia em que a tragédia de Chernobyl completa 20 anos, o Greenpeace alerta para o risco nuclear existente no Brasil e no mundo. Segundo o grupo, o risco aumenta no país com o Programa Nuclear Brasileiro, que prevê a construção de Angra 3 e de mais seis usinas atômicas - duas de grande porte e quatro minicentrais no Nordeste.
O projeto - que custaria R$ 30 bilhões até 2022 - incluiria a construção de um submarino nuclear e de uma central de enriquecimento de urânio De acordo com o estudo realizado pelo Greenpeace -que envolveu 52 cientistas e foi lançado na semana passada -, as proporções da catástrofe de Chernobyl foram muito maiores que as apresentadas pelos números oficiais da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em setembro de 2005. Segundo a pesquisa, amostras do solo da Ucrânia -coletadas em outubro de 2005- indicam que algumas regiões do país continuam altamente contaminadas e que a população ainda sofre os efeitos da radiação nuclear.
O Greenpeace lançará hoje um calendário ilustrado com fotos das vítimas de Chernobyl e de outros locais contaminados por radiação. Vinte anos depois da tragédia de Chernobyl, o Brasil ainda enfrenta problemas na área de segurança nuclear, segundo o grupo ecológico. Um relatório da Câmara dos Deputados, aprovado no mês passado, mostrou que diversos problemas de segurança nuclear permanecem sem solução.
Em 1988, o Brasil também foi palco de um desastre radioativo - o maior acidente radiológico do mundo. O desastre com Césio-137 ocorreu na cidade de Goiânia, demonstrando as falhas nos procedimentos do governo e o risco da liberação descontrolada de um elemento radioativo. Assim como milhares de pessoas afetadas por Chernobyl, em Goiânia, as vítimas continuam desamparadas, quase 18 anos após o acidente.
Segundo Guilherme Leonardi, coordenador da campanha de energia nuclear do Greenpeace Brasil, o aniversário da tragédia de Chernobyl serve para “lembrar que não se pode ignorar os perigos da energia nuclear, nem os diversos problemas que o país possui na área de segurança atômica”.
“Não é admissível que dinheiro público seja desperdiçado com a compra de uma energia cara, perigosa, suja e ultrapassada”, acrescentou Leonardi.