Economia & Negócios

Pro Teste avalia contas para jovens

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Administrar a mesada, controlar os gastos da faculdade, pagar as contas da república. Visando o crescimento do público jovem e a independência deles cada vez mais cedo, os bancos estão criando várias modalidades de contas e cartões de crédito para cativar jovens e universitários. Além de aumentar a lista de clientes, as empresas buscam fidelizar os futuros titulares de contas correntes regulares.

O crescimento da oferta de produtos para esse público chamou a atenção da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor Pro Teste, que realizou uma pesquisa sobre as contas e qual delas é mais adequada para os vários orçamentos dos jovens.

Esse é o segundo ano consecutivo que a associação faz a pesquisa e, de acordo com Hessia Costilla, economista e coordenadora do estudo, os jovens ficaram na desvantagem neste ano. “Em 2006 diminuiu o número de produtos com isenção de taxas de manutenção. Só duas empresas oferecem esse benefício”, afirma Costilla.

Ela ressalta a importância do adolescente possuir uma conta bancária. “Ele aprende a economizar, a racionalizar os gastos. Se começar com uma conta específica para jovens, quando chegar à universidade, não vai ter muitos problemas”, observa a economista.

Para ela, é muito diferente ter dinheiro no bolso e ter depositado em conta corrente. “Uma conta tem que ter acompanhamento, controle. O jovem tem que aprender sobre taxas e impostos que vão ser debitados de seu saldo”, explica.

O limite da conta é um fator que os jovens devem prestar atenção. As contas para jovens e universitários sempre destinam um valor para o famoso “especial”. Para Cordilla, é uma armadilha. “Por menor que seja (a taxa), é ruim para o jovem. Ela pode dar a impressão errada, pois quando o consumidor vê o saldo, pode acreditar que o dinheiro é dele”, avalia a economista. E os juros para quem entra no especial da conta diferenciada são tão altos quanto das contas normais, chegando a 9% ao mês.

Outro benefício pesquisado são os cartões de crédito para universitários e adolescentes. Na avaliação de Costilla, as anuidades não são atraentes e os juros são muito altos. “Não existe uma grande vantagem. Além disso, os bancos atrelam o cartão a seus produtos. Você não pode escolher a conta universitária de um banco com o cartão oferecido por outro”, explica.

Bom negócio

Para fazer um bom negócio, Costilla sugere aos pais e adolescentes a pesquisar e ler as ofertas de cada banco. “Você precisa adequar as ofertas à sua necessidade. Não precisa aceitar pagar mais para ter uma série de produtos que não vai usar”, aconselha.

A estudante de jornalismo Karla Beraldo de Souza escolheu a conta universitária de um banco que apresentou a menor burocracia na hora para fechar o negócio. Assim que entrou na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e teve de sair de Atibaia, sua terra natal, ela começou a cuidar do próprio orçamento. “É necessário. Você não está mais tão em contato com seus pais e precisa ter essa independência”, avalia.

Ela confessa que não acompanha as taxas cobradas tão de perto. “Não acho excessivas. Mas vivo com o especial estourado”, admite.

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