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Greve da Anvisa suspende 8 cirurgias

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Um dia depois dos servidores paulistas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspenderem a greve iniciada no dia 21 de fevereiro, as conseqüências da paralisação chegaram a Bauru. Oito cirurgias agendadas deixaram de ser realizadas ontem por falta de sangue pronto para ser transfundido. O estoque do Hemonúcleo de Bauru não está baixo, mas o órgão não dispõe de kit para prepará-lo.

O material, que era aguardado para a tarde de segunda-feira, identifica o vírus HTLV, transmitido pelo sangue. Ao todo, 4% de seus portadores podem desenvolver leucemia ou doença neurológica. Além deste teste, o sangue é submetido a vários outros exames sorológicos antes de tornar-se apto para a transfusão. Por meio deles, é possível identificar doenças como Chagas, sífilis, aids, hepatite C e B, por exemplo.

“Parte (do problema) tem relação com a greve. Nós compramos de uma empresa, mas os kits estavam parados (aguardando liberação pela Anvisa). Fizemos então uma compra em Campinas. Como eles não deram certeza da entrega (para hoje), vamos buscá-lo. Até a hora do almoço deve estar aqui”, explica Reinaldo Rocha, superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB).

A entidade é mantenedora dos hospitais de Base e Manoel de Abreu, Maternidade Santa Isabel e também do hemonúcleo. De acordo com Reinaldo Rocha, com o único kit comprado será possível realizar 480 exames. Amanhã, outra compra será realizada, medida que garantirá a normalização do trabalho do hemonúcleo por mais dez ou 15 dias.

Ontem, a AHB cancelou seis cirurgias eletivas, ou seja, não-urgentes e que haviam sido marcadas com antecedência. Outras duas também foram canceladas no Hospital Estadual de Bauru (HE). A medida foi necessária para que as operações sejam realizadas com segurança. “Não vale a pena arriscar. A gente trabalha com margem de segurança”, reitera Eleide Bérgamo, assessora de imprensa da HE. Os mesmos cuidados são adotados pelo AHB.

A situação, no entanto, deve ser normalizada ainda hoje, segundo as previsões de Reinaldo Rocha. A expectativa dele é compartilhada pela diretora do hemonúcleo, Telma de Freitas. Ela ressalta que a situação não é alarmante e não deve preocupar os usuários.

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Farmácias não são atingidas

A greve dos fiscais da Anvisa ainda não é motivo para a falta de medicamentos em Bauru, embora já preocupe o setor farmacêutico. Nas farmácias e drogarias da cidade, os principais remédios em falta são o Digeplus (desintoxicante gástrico), Postoval (hormônio feminino) e Magnésia Bisurada (anti-ácido gástrico). Mas segundo os estabelecimentos, os três produtos começaram a faltar antes da paralisação.

Antônio Augusto Gomes, gerente de uma rede farmacêutica em Bauru, diz que por enquanto, o abastecimento de remédios em suas farmácias está normal. “Nada foi alterado, estamos recebendo todos os pedidos que fazemos”, comenta.

Gomes ressalta que alguns produtos, por conta da matéria-prima ser importada ou por eventualidades, como mudanças na embalagem, também favorecem o atraso da entrega.

Em outra rede de farmácias de Bauru, o consumidor também não está encontrando o Digeplus, Postoval e a Magnésia Bisurada. Conforme Irineu Lopes, gerente do estabelecimento, os medicamentos estão em falta há mais de três meses. “São produtos que faltam constantemente, porém, como não precisam de receituário médico, são substituídos por remédios que oferecem o mesmo efeito. Não tem relação nenhuma com a greve da Anvisa”, observa.

Lucien Luiz

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