Tribuna do Leitor

Eu vi minha mãe chorando


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Somente depois que meu pai (ferroviário por opção e vocação) partiu é que pude avaliar, verdadeiramente, a falta que nos fazia. Quando outros céus derramavam sobre as tardes jorros de luz saudosos e doloridos; quando outras paisagens despertavam no íntimo um sentimento vazio e oco; quando as lonjuras dos caminhos de ferro ficavam para trás; quando aves pernaltas e brancas ficavam cismarrentas a contemplar a imensidão das superfícies alagadas; quando ficávamos a meditar na extensão de felicidade que junto dele deixamos de gozar, em vi minha mãe chorando: somente porque um dia ele tomara um trem pra nunca mais voltar.

Fica aqui minha sincera homenagem ao 30 de abril: “Dia do Ferroviário”.

Wanderley Brosco - RG 2.676.214-6

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