“Janaína acorda todo dia às quatro e meia. E já na hora de ir pra cama, Janaína pensa que o dia não passou, que nada aconteceu. Mas ela diz que apesar de tudo ela tem sonhos.” Lauren, 28 anos, postada na esquina da rua Ezequiel Ramos com a avenida Nações Unidas, cantarola estes versos da música “Janaína”, da banda Biquíni Cavadão, quando questionada sobre sua rotina.
Travestida de mulher, Lauren é, na verdade, um homem de 1,78m. No início da entrevista, um pouco arredia, por conseqüência dos calos que a vida lhe impôs, ela pensa muito e fala pouco. Mas acaba cedendo.
Lauren (a verdadeira identidade ela não revela), acorda todos os dias no meio da tarde, toma banho, almoça e sai para pagar contas e fazer compras no supermercado ou no calçadão da Batista de Carvalho. Retorna no final da tarde e se veste “para a noite”. O figurino é quase sempre o mesmo: minissaia ou calça justa, tomara-que-caia ou blusinha transparente, salto alto e maquiagem.
Tudo pronto, Lauren sai “toda poderosa” para encontrar as amigas. Fuma um cigarro e aguarda a clientela. “Faço, de cinco a seis programas em média. Quando vejo que não vai dar mais nada, vou embora. Muitas vezes já é de manhã”, diz.
Questionada sobre as prostitutas, Lauren comenta que agora a maioria faz programas durante o dia, por que a noite é muito perigosa. “Já apanhei e já bati muito, mas a gente sempre leva a pior. Somos muito discriminadas. Fazer o quê? Preciso tirar meu ganha-pão”, explica.