O que mais me preocupa nos embates políticos exasperados que vejo se espalharem por meu País são os contendores que fatalmente serão derrotados no pleito que se avizinha. As expectativas, as paixões e a intolerância que cercam esses antagonistas me fazem antever um clima de insanidade ainda maior do que o que vige neste momento, por mais que isso pareça impossível. Não consigo, pelo menos neste momento, vislumbrar a hipótese de algum dos lados vir a se conformar com a derrota.
Neste nível de reflexão, o que menos me importa é o resultado da eleição. O que ocupa meus pensamentos neste momento é saber como poderia contribuir para impedir que a guerra político-ideológica que este País vive se perpetue nos corações de vitoriosos e derrotados. Não podemos mais continuar do jeito que estamos. Não se pode conceber que uma sociedade se mantenha neste nível de tensão, trocando xingamentos e acusações sem limite e, o que é pior, sem vontade aparente de interromper essa situação.
Derrotar não é vencer. Ninguém ganha derrotando. A verdadeira vitória consiste em ser reconhecida e aceita por vencedores e vencidos. Mas como lograr tal feito quando a disputa, de tão exaltada, promete humilhação dos que forem derrotados?
Não é esse o espírito da democracia. O que está em jogo neste país não é um campeonato de futebol e sim que elejamos um governo que receba ao menos o benefício da dúvida dos que desejam outro resultado para a disputa. Sem isso, os vencedores não terão o mínimo de sossego para implementar propostas aprovadas pela maioria. E, com efeito, a aceitação do desejo da maioria é a matéria-prima de que é feita a democracia.
Se você é brasileiro, se a situação deste País te afeta seja ela qual for, nem cogite pisar nos que de você divergem, se os derrotar, ou em hostilizá-los, se por eles for derrotado. Preocupe-se em como aceitar ou fazer com que aceitem o desfecho dessa que será uma das eleições mais difíceis da história deste País.
O autor, Eduardo Guimarães, é colaborador da seção livre Opinião