A estudante Thays Baroncini, 16 anos, ainda não tirou o título de eleitor, mas pretende tirar ainda para as eleições de outubro. No entanto, sua preocupação maior não é o voto. “Vou tirar também para votar, mas principalmente porque sem o título não dá para conseguir emprego”, afirma.
Uma vez que vai tirar o título, Thays afirma que pretende votar, mas não tem candidato. Quanto às propostas de governo que ganhariam seu voto, ela não soube especificar. “Na época das eleições eles fazem de tudo para ganhar, depois esquecem tudo o que prometeram”.
O assunto política passa longe das conversas de seu grupo de amigos. A exemplo de Ana Paula, este é um tema considerado chato para Thays e seus amigos. A jovem também afirma que os problemas sociais e econômicos do País, de sua cidade ou mesmo de seu bairro não a motivam a nenhum tipo de ação.
Engajamento político partidário também não está em seus planos. “Isto exige muita responsabilidade, não estaria preparada”, afirma. Jovens que aparentemente não têm nenhum interesse em algum tipo de atuação pela transformação da sociedade, ainda assim estão de alguma forma presentes na vida cotidiana. A professora Loriza de Almeida exemplifica: “Veja um garoto (a) no computador, ele fala com o mundo, sabe das notícias, “viaja” por novas formas de ver e pensar a vida e com isto não se embrutece e nem esmorece. Ao contrário, inventa formas bonitas de conviver socialmente”.
A professora afirma que há muitas críticas de que o jovem se alienou, que não se interessa por nada. “Esquecemos de verificar sua competência criativa, sua capacidade de realização, sua doçura (por quê não?)”, afirma.
Loriza afirma que os jovens têm potencial de participação e estão presentes, o que falta é serem convocados para uma atuação. “Em Bauru, observamos as várias tribos nos grupos de hip hop, nas igrejas de todos os credos, a moçada está lá, presente. Se forem chamados a um trabalho, não negam”, afirma.
Para a professora, a juventude foi abandonada. “Se fizermos política limpa, de boa qualidade, com honestidade e firme propósito de acertar, a juventude encampa, mas o que fazemos é deixá-los na solidão e no desamparo”, sustenta.