Hoje comemora-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Anteontem, 1 de maio, foi celebrado o Dia da Imprensa de Bauru, data instituída pela Câmara Municipal em 1999 por sugestão do jornal histórico Bauru Ilustrado pelo fato de ter sido o dia que, em 1905, circulou o primeiro jornal da cidade, O Progresso de Bauru. De lá para cá, a imprensa bauruense cresceu, diversificou e conquistou credibilidade.
Quem conheceu as velhas tipografias (hoje gráficas), nas quais eram confeccionados todos os tipos de impressos, em um verdadeiro trabalho artesanal, bem como pequenos jornais, entende perfeitamente sobre as dificuldades enfrentadas por autênticos artífices que prestavam serviços nos mais diversos setores daquela atividade. Cada tipógrafo (atuais gráficos), especializado em diferentes áreas, dependia do colega para completar a execução de suas tarefas, até que o serviço, pronto, era entregue ao cliente.
Desde os primeiros tempos que o parque gráfico bauruense se destaca em toda a região, pois na cidade já funcionaram empresas de renome, como as Tipografias Brasil (hoje Tilibra), a Tipografia Comercial, Gráfica Bauru, Vitória, A Impressora, Cruzeiro e tantas outras que mantinham expressivo número de competentes profissionais em seus quadros funcionais.
O tempo passou, todas elas desapareceram, com exceção da Tilibra, que esmerou-se na produção de cadernos. Foram criadas novas firmas que há muito operam no ramo, todas elas dentro da moderna tecnologia, o computador tem fundamental importância.
O mesmo aconteceu com os jornais, visto as grandes transformações surgidas nesse campo, inclusive quanto à redução de empregados pois, entre as atividades que necessitavam de vários funcionários, a implantação da linotipo (antiga máquina de compor e fundir em chumbo as letras, inclusive frases inteiras), provocou muitas dispensas.
Assim, os jornais foram se adaptando ao crescente modernismo em toda a sua área de ação, inclusive possibilitando maior agilidade em seus noticiários. Hoje, tudo mudou. O computador tomou conta das redações, do setor fotográfico - as máquinas digitais permitem incrível rapidez e a impressão, com um simples toque, produz milhares de exemplares, em um prazo mínimo.
No dia 1 de maio de 1905 foi apresentada a edição número 1 do primeiro jornal que circulou em Bauru, O Progresso de Bauru. No início, esse precursor da imprensa bauruense começou a ser impresso em Avaré, depois em São Manuel, posteriormente em Botucatu, finalmente em Bauru. Seu proprietário era José Antônio Pereira Júnior e o gerente Horácio do Vale, que exerceu vários cargos de responsabilidade, entre os quais procurador do Município e autoridade policial.
Passado algum tempo, tendo em vista as dificuldades que começaram a surgir, a empresa pleiteou a colaboração da municipalidade. Solicitou, inclusive, auxílio da Câmara Municipal, quando se ofereceu para divulgar atos da Casa de Leis, mediante retribuição financeira mensal.
A proposta girava em torno de 240 mil réis que seriam pagos em prestações. No dia 21 de agosto de 1905, a Comissão de Compras da Edilidade deu parecer favorável, “pagando-se 40 mil réis por mês a contar de novembro do corrente ano”.
Aprovado o parecer, e sem debates, o pequeno jornal continuava circulando, mas problemas técnicos de suas oficinas preocupavam os seus dirigentes, fato esse que motivou outro pedido, quando foi solicitado um empréstimo de 500 mil réis a fim de se adquirir novos materiais tipográficos (gráficos). A Comissão de Finanças e Contas da Casa de Leis foi favorável à pretensão, porém mediante a hipoteca do maquinário e dos respectivos materiais.
O parecer, submetido à discussão plenária no dia 12 de fevereiro de 1906, em sessão presidida por Azarias Ferreira Leite, foi rejeitado por unanimidade. O Progresso de Bauru acabou então encerrando suas atividades, tendo José Antônio Pereira Júnior deixado a cidade com todo o seu parque tipográfico (gráfico).
Foi quando Domiciano Silva, advogado e o segundo prefeito, em 1906 lançou O Bauru, jornal que permaneceu na ativa durante mais de duas décadas, apesar de algumas interrupções por questões políticas. Vendido a Almerindo Cardarelli, prosseguiu defendendo os interesses da cidade mas em meados dos anos 20 parou de circular.
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Atualidade
Depois do surgimento do jornal, O Progresso de Bauru, em 1905, da Bauru Rádio Clube, em 1934, e da TV Bauru-Canal 2, em 1960, a imprensa bauruense atualmente possui, no que se refere à escrita, o Jornal da Cidade, Bom Dia, Baurusão e as revistas Atenção, Bauru News, Editora Alto Astral. Quanto às emissoras radiofônicas, conta com a Auri Verde, Bandeirantes (sucessora da Bauru Rádio Clube), Rádio 710 (antiga Terra Branca), FM 94, FM 96 (Rádio Cidade), Unesp FM e FM Líder.
No tocante à televisão, a TV Tem (sucedeu a TV Bauru - Canal 2), Bandeirantes, Record, Preve, TV Universitária (Unip, FIB, USC), TV Câmara e SBT.
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Bauru Ilustrado
Ainda no jornalismo impresso, a cidade conta com o Bauru Ilustrado, jornal dedicado à história da cidade, que não tem similar em todo o território nacional, pois é inteiramente voltado aos fatos do passado. Circulando há 31 anos, esse órgão de comunicação resgata, preserva e divulga diferentes acontecimentos dos velhos tempos, sendo uma influente fonte de informações sobre os antigos fatos de Bauru.
Em 1999, a Câmara Municipal de Bauru, em atenção a uma sugestão do jornal histórico Bauru Ilustrado, criou o Dia da Imprensa de Bauru (1 de maio), data em que circulou (1905) a publicação pioneira que foi O Progresso de Bauru.
Assim, os jornalistas de Bauru, dos setores escrito, falado e televisado, passaram a comemorar o Dia da Imprensa Bauruense, data essa devidamente oficializada pelo Legislativo e Executivo, em uma iniciativa de ampla repercussão entre os militantes dos órgãos de divulgação.
Sem qualquer custo, o Bauru Ilustrado está oferecendo às pessoas interessadas, principalmente ao mundo estudantil, uma série de informações sobre o jornalismo em Bauru, com uma publicação que foi divulgada em 1987, a qual narra, em seus mínimos detalhes, a história de jornais, inclusive sobre O Progresso de Bauru, o primeiro a circular. Subsídios sobre antigas revistas, rádio, televisão e fotos também estão à disposição. Os telefones para consultas são (14) 3223-5175 e 3224-3869.