Genebra - EUA, Reino Unido e França apresentaram ontem ao Conselho de Segurança da ONU uma proposta de resolução exigindo que o Irã suspenda seus esforços para enriquecer de urânio. Governos do Ocidente suspeitam que as atividades iranianas estejam ligadas a um programa secreto para a fabricação de armas nucleares.
O texto - que ainda não tem apoio da Rússia e da China, os outros dois membros do conselho com poder de veto - não menciona diretamente a adoção de sanções. Mas ameaça considerar a possibilidade de tomar “medidas adicionais que possam ser necessárias”.
Em linguagem diplomática, isso pode ser entendido exatamente como possíveis sanções. Ontem mesmo o chefe do programa nuclear do Irã, Gholamreza Aghazadeh, disse que seu país havia enriquecido urânio ao nível necessário para ser usado como combustível de reatores. Teerã sustenta que seu projeto tem como fim apenas a geração de energia.
O documento apresentado ao conselho também conclama outras nações a permanecerem atentos e evitarem transferência de materiais e tecnologias “que poderiam contribuir para as atividades do Irã relacionadas ao enriquecimento do Irã e a programas de mísseis”.
O esboço da resolução evoca o Capítulo 7 da Carta da ONU, o que a tornaria uma decisão de cumprimento obrigatório. Ao mesmo tempo isso daria ao Irã mais uma chance para aceitar as exigências do conselho antes que de um prazo final -ainda não estabelecido.
Resoluções sob o Capítulo 7 permitem a imposição de sanções e até mesmo de guerra para forçar uma concessão, mas seria preciso uma nova resolução para que essas etapas fossem alcançadas. O embaixador dos EUA na ONU, John Bolton, disse que a decisão caberia novamente ao Irã.
“Se eles desistirem de tentar obter armas nucleares, muitas coisas são possíveis. Se eles continuarem a ameaçar, a ofuscar e a tentar jogar areia nos nossos olhos, então nós teremos uma outra circunstância.”
A Rússia e a China - que podem usar seu poder de veto para inviabilizar a resolução - relutam a endossar qualquer medida que possa abrir caminho para sanções ou ofensivas militares. Ontem, o porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Sean McCormack disse que os russos deveriam reavaliar sua cooperação com o Irã e abortar um projeto de venda de armas.
“Certamente, não achamos apropriado que eles continuem a vender armas para esse regime (do Irã), um regime que fala em varrer Israel da face do mapa”, declarou McCormack, referindo-se àdeclaração recente do presidente do Irã. Diplomatas consideram que são poucas as chances da proposta ser adotada nos próximos dias. A França falou ontem num prazo até junho.