Há tempos observo o trânsito de Bauru e do seu entorno. Em 1996, centenário da cidade, idealizei uma barulhenta “Campanha de Conscientização no Trânsito”, juntamente com pesquisadores da Unesp e contando com o apoio e colaboração dos principais órgãos responsáveis pela sua fiscalização. A campanha foi muito bem recebida pela população local e pelas pessoas que dela participaram. Os resultados apareceram a partir da sua realização. As principais avenidas foram todas ocupadas pelos participantes da campanha, pela polícia militar e ativistas, o que mobilizou a população para maior atenção na condução de seus veículos, alertando pedestres e pedindo providências às autoridades competentes quanto a uma maior e melhor sinalização em pontos críticos da cidade. Lembro-me que obtivemos vários resultados, entre eles, uma melhor sinalização na avenida Nações Unidas.
Hoje, moradora do Centro da cidade, lugar nostálico e quase encantador - pelo menos para quem é saudosista como eu, que veio, recentemente, da conturbada cidade de São Paulo - sinto a urgente necessidade de uma maior atenção das autoridades competentes quanto ao problema da sinalização daquele local - e de muitos outros. Há mais de dois anos resido na rua Gustavo Maciel, na esquina com a fatídica Presidente Kennedy. E o que acontece por lá, praticamente toda semana? No mínimo, um acidente de moderada gravidade. Ou se trata de um grande caminhão atropelando um fusquinha - 13h, sábado; ou um veículo colidindo com uma motonete - 18h30, numa segunda-feira; ou um outro veículo de passageiros invadindo o estacionamento da esquina - 8h, quarta-feira; ou alguém gritando e... “crash” - 7h, terça-feira, recente. Ah! Esta foi demais! Acordei assustada e rezei imediatamente para as vítimas, que nem sei lá qual o número, de mais uma batida naquele local este ano!
Cansada de ver o que não gostaria, liguei imeditamente para um dos jornais locais da cidade, passei o problema e pensei numa solução - já que a instalação de mais um farol não é aceita pelos engenheiros de trânsito, pois eles alegam já existir dois outros faróis anteriores naquela rua. Ocorre que, além dos acidentes, a rua Gustavo Maciel fica confusa naquele cruzamento. Ela começa com mão dupla, no primeiro quarteirão e, no segundo, já não é mais. Cotidianamente, vemos motoristas desatentos subindo a segunda quadra, que é contramão. E é aquele barulho! Todo mundo - donos das lojas e clientes - acaba saindo dos estabelecimentos comerciais para gritar e assoviar, chamando a atenção do motorista desatento. E, quando ele se dá conta, onde está? No fatídico cruzamento da Gustavo Maciel com a Presidente Kennedy. E o pior é quando o motorista, mais assustado ainda, pega a Presidente Kennedy - menos comum, mas há quem conte muitas histórias por ali. Mas a maioria dos acidentes não ocorre porque o motorista na Gustavo está na contramão. Ocorrem porque quem desce pela mão única não percebe que está num cruzamento que não lhe é preferencial e, lá vai, a 40 por hora, outro desatento pela Presidente Kennedy que pegou o farol anterior aberto, da Antônio Alves. Bem, diante de tanta convivência com esses problemas no trânsito da cidade, sugeriria às autoridades competentes que instalem faróis de alerta, aquele pisca-pisca amarelo, em que é exigido do motorista a atenção no cruzamento. E, se for preciso, placas e mais placas. O que não é possível é gostarmos tanto da cidade e ver que nela muitos padecem por falta de uma resolução imediata para problemas que podem ser solucionados sem muito esforço.
A autora, Adriana Nigro Cardia, é professora de jornalismo