Política

EPT agora quer aterro simples na ponte

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de quatro meses de discussões e quatro relatórios apresentados pala Engenharia e Pesquisas Tecnológicas (EPT), o impasse sobre a ponte Ayrton Senna, que liga a região do Mary Dota ao Distrito Industrial 1, pode estar chegando ao fim.

De acordo com o secretário municipal de Obras, Leandro Dias Joaquim, a empresa - contratada pela Prefeitura de Bauru para realizar estudos sobre a estrutura da ponte - entregou ontem novo laudo sobre a obra.

Pelo novo documento, não será necessário realizar o aterro monitorado, conforme a EPT havia dito em janeiro. “Será apenas o aterro normal, mas tem outras coisas que eu prefiro não revelar agora. Os representantes da EPT devem vir na próxima semana para divulgar o teor do relatório”, disse o secretário.

O impasse entre a Secretaria de Obras e a EPT começou quando os técnicos da empresa apresentaram o primeiro relatório e concluíram que seria necessário fazer um aterro monitorado de seis metros na base da ponte.

Pelo estudo inicial da empresa, a estrutura da ponte não tinha sofrido danos e necessitava apenas de pequenos reparos. O aterro poderia demorar de seis a oito meses para ficar pronto, já que demanda cuidados para não comprometer as estruturas da obra. A ponte está interditada há três anos.

Além disso, a empresa deveria entregar o memorial de cálculo, o que não ocorreu. Segundo Joaquim, consta no edital que a empresa contratada deveria fazer todos os testes laboratoriais. O memorial de cálculo explica os resultados obtidos nos laudos realizados pela EPT.

Histórico da obra

A ponte Ayrton Senna foi inaugurada em setembro de 2000, às vésperas da eleição que reelegeu Nilson Costa prefeito de Bauru, sendo construída com o objetivo de interligar o Distrito Industrial 1 com o Mary Dota. Mas alguns meses depois, no início de 2001, a obra apresentou fissuras na fundação e as rachaduras exigiram sua interdição. Desde então, a administração municipal gastou tempo e dinheiro tentando reparar, sem êxito, o que foi feito em desacordo com o projeto inicial.

Curiosamente, foi o atual prefeito Tuga Angerami, em seu último mandato como deputado federal, quem obteve os recursos para a construção da ponte, em cerca de R$ 200 mil através de emenda ao Orçamento da União.

Entre as despesas com a ponte, constam, desde então, R$ 217. 472,33 para contratar a empresa responsável pela concretagem da obra. Outros R$ 258 mil foram aplicados no pós-interdição, sobretudo com obras de reforço das fundações. Outros gastos constam da obra, como contratação de projeto de recuperação ainda na gestão passada.

Por enquanto, ainda está em aberto quanto deve ser investido para concluir a recuperaração da ligação da região do Mary Dota ao Distrito Industrial 1. O valor será apontado após o estudo contratado pela atual gestão, cujo novo contrato gerou despesa de outros R$ 49,5 mil somente com a análise da atual situação da estrutura e superestrutura da obra.

De acordo com estimativa anterior do secretário municipal de Obras, Leandro Joaquim, o poder público teria de gastar R$ 1,5 milhão se fosse construir a ponte da estaca zero. No entanto, para recuperá-la neste ano a prefeitura terá R$ 600 mil disponíveis, conforme dotação orçamentária aprovada pelo Legislativo no mês passado. Desse valor, R$ 200 mil foram devolvidos pelo próprio Legislativo ainda em 2005 para utilização na obra.

A demora na definição para a obra não está apenas em seus problemas estruturais. A ponte também gerou ação com pedido de indenização no Fórum local, de autoria do vereador Antonio Carlos Garmes (PSDB), para que o município seja ressarcido dos prejuízos causados pelas falhas na construção. A ação popular inclui todos os gastos adicionais realizados com projetos e reformas.

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