Bairros

Bauruenses casam menos e mais tarde

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 3 min

“A violência e a insegurança não se refletem apenas na perda de romantismo, mas também nas relações sociais e até no tempo que os jovens levam para administrar suas próprias vidas e assumir compromissos como o casamento.

“As pessoas estão namorando por mais tempo, indo morar juntas sem casar legalmente ou realizando outros projetos antes de concretizar o enlace matrimonial.” A afirmação da terapeuta de família e casais Cinthia Romanini sintetiza o panorama das relações afetivas dos casais atuais.

Dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) corroboram a informação. De acordo com o órgão, 5,44 bauruenses, de cada 1.000 habitantes, casou-se no ano de 2003. Em 1990, a taxa de nupcialidade era de 6,48. E em 1980, 8,43 bauruenses oficializaram a união.

Estes dados revelam que, estatisticamente, muitos relacionamentos têm permanecido na informalidade ou demoram para se oficializar. “Como o número de mulheres financeiramente independentes não pára de crescer, os casamentos também demoram mais para acontecer. Antes a mulher dependia do homem e acabava casando cedo. Hoje, elas querem fazer faculdade, trabalhar e só depois pensar em matrimônio”, explica Romanini.

A psicóloga Luciana Pacheco, 26 anos, faz parte destas estatísticas. Namorando há nove anos o tenente da Polícia Militar Nilson César Pereira, os dois vão finalmente se casar em agosto próximo. “Eu estava cursando a faculdade, ele trabalhando. Não acredito que demoramos para casar. Estamos nos casando no tempo certo”, comenta.

Acostumada a realizar parte do sonho de muitas noivas, a cabeleireira Sarah Lilian Forni, 26 anos, que está com casamento marcado para o próximo dia 26, também acredita que a oficialização da união não demorou para acontecer. “Fiz o cabelo de muitas noivas e isto sempre me fazia pensar no meu casamento, mas não tivemos pressa e foi melhor assim”, diz.

Namorando há oito anos o operador de máquinas Carlos Eduardo de Mello Botoce, 26 anos, Forni ressalta que o casal foi montando a casa aos poucos e que estes anos de namoro apenas fortaleceram a relação. “Hoje estamos mais maduros e economicamente estáveis para casar e morar juntos”, frisa.

O carioca Josué Dias de Souza, 54 anos, e a bauruense Fátima Rosária da Silva, 53 anos, estão juntos há 32 anos, mas apenas agora vão se casar legalmente. De acordo com ele, o casamento que ocorrerá no próximo dia 12, foi protelado diversas vezes e pelas mais variadas circunstâncias.

A primeira foi porque os dois fugiram juntos para a cidade de Cafelândia ainda na juventude. “Naquela época, ou casava ou fugia. Nem eu nem ela tínhamos dinheiro para casar. Então, fugimos”, lembra.

Em menos de dois meses eles estavam de volta a Bauru. A situação começou a se acertar, Silva engravidou do primeiro filho e o casal resolveu oficializar a relação. No entanto, ao chegar ao Cartório de Registro Civil, já nos últimos meses de gestação, Souza olhou para sua mulher e pensou no futuro filho. “Perguntei para ela se era melhor casar de papel passado ou comprar roupas para o nosso filho. Fomos embora do cartório sem casar”, afirma.

Com o filho crescido, casa própria e situação financeira estável, Souza decidiu que aquele era o momento ideal para formalizar a união. No entanto, seu desejo era fazer uma surpresa para a esposa. Não deu certo. “Eu queria levar o documento para casa, para minha esposa assinar. Mas me disseram que ela precisava ir até o cartório. Daí desisti, queria que fosse um presente surpresa”, explica.

Finalmente, no próximo dia 12, Souza e Silva vão poder dizer que são oficialmente marido e mulher. No entanto, o tão sonhado casório terá um fato inusitado. No mesmo dia, hora e local, o filho mais velho do casal, Guilherme Aparecido de Souza, 32 anos, irá casar com sua noiva, Adelma Nunes Prates, 32 anos.

“Vamos casar para poder batizar nossos filhos na igreja que seguimos atualmente. Mas o fato de não sermos casados no papel nunca atrapalhou em nada”, conta Guilherme.

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