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Drogas estão ao alcance de um clique

Érika Pelegrino
| Tempo de leitura: 4 min

Jovem é preso em Campinas, Interior de São Paulo, acusado de vender LSD e ecstasy através de programa de comunicação instantânea. Jovens de classe média alta acusados de tráfico de drogas na Internet são presos. Eles vendiam ecstasy no Rio de Janeiro, Niterói e na Região dos Lagos. Estas são apenas algumas, das muitas notícias veiculadas com freqüência pela imprensa brasileira desde o ano passado.

Que a Internet transformou-se em palco de diversos crimes, não apenas tráfico de drogas, mas também de racismo, pedofilia e venda de receitas médicas, não é exatamente uma novidade. Extra-oficialmente, a maioria das pessoas já ouviu falar de algum caso. A discussão, mais recente, porém, é a regulamentação das atividades na web, a investigação dos crimes cometidos na rede e quebra de sigilo na Internet.

Especificamente sobre o tráfico de drogas, no caso do Estado de São Paulo, o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) passou a intensificar as investigações há nove meses, quando um jovem do Interior de São Paulo foi preso com ecstasy.

De acordo com o delegado operacional Wuppslander Ferreira Neto, como tratava-se de uma cidade atípica no tráfico de drogas sintéticas, o Denarc começou a investigar a forma como o jovem adquiriu o ecstasy. Chegou ao tráfico no Orkut, site de relacionamentos do Google.

Segundo Ferreira Neto, o site trazia um trecho da entrevista de um promotor de Justiça afirmando a dificuldade da polícia em agir nos casos de tráfico via Internet. Com a declaração do promotor os traficantes procuravam mostrar que é “seguro” comprar drogas virtualmente.

No entanto, na Capital do Estado, as delegacias especializadas em meios eletrônicos, o Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), Denarc e Polícia Federal estão intensificando as investigações. No Interior do Estado, a realidade é um pouco diferente.

Em Bauru, a delegada titular da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), Rejane Tiritan, afirma que não há investigação em andamento. Ela admite que “ouve-se” falar do tráfico de drogas na rede virtual. “Mas não temos nenhuma denúncia”.

O delegado operacional do Denarc, no entanto, afirma que estes crimes estão disseminados pelo País todo. No Interior do Estado, segundo ele, a atuação ocorre em parceria com os departamentos de polícia do Interior, os Deinter.

As principais Capitais do País já contam com delegacias de meios eletrônicos. No Interior do Estado de São Paulo, o 2.o Distrito Policial de Marília é um dos únicos que conta com núcleo especializado em crimes cometidos na Internet. No entanto, os crimes investigados são aqueles contra a honra e o patrimônio. Não há casos de venda de drogas.

Baladas

O delegado operacional do Denarc, Wuppslander Ferreira Neto, afirma que os traficantes utilizam a rede para fazer contatos e vender as drogas. “Através do site, eles divulgam em qual ‘balada’ estarão”, afirma.

Ferreira Neto não dá detalhes da atuação da polícia para não fragilizar a ação, mas afirma que o “modus operandi” do tráfico virtual está sendo investigado pelo Gerco, Denarc e Polícia Federal em conjunto com os departamentos do Interior do Estado.

O delegado operacional do Denarc afirma que há um grupo de policiais especializados no tráfico de drogas sintéticas (como ecstasy e LSD) atuando nas operações “dancing”. Estes policiais agem com três equipes diferentes que se infiltram nos dancings e fazem a prisão dos traficantes fora do local. “Isto para evitar o confronto nestes estabelecimentos, que normalmente têm de 700 a mil pessoas por noite”. Este mesmo grupo está também centrado no tráfico de drogas na Internet.

Ferreira afirma que não é possível dizer o volume de drogas vendidas via Internet e nem quantas prisões de usuários e traficantes já foram efetuadas. São informações sigilosas. Porém, segundo ele, nestes nove meses de atuação específica na investigação da Internet, já foram feitas várias prisões.

O delegado titular da 4.ª Delegacia de Meios Eletrônicos de São Paulo, Plínio Salles, afirma que dos 1.200 inquéritos policiais em andamento, 10% foram instaurados para apurar denúncia de tráfico de drogas.

Atualmente, a delegacia investiga 720 casos de crime contra honra (calúnia, difamação e injúria); 240 casos de crime contra o patrimônio (furto mediante fraude e estelionato); 120 casos de pedofilia e 120 casos de tráfico de drogas.

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